Uma das coisas que mais me atrai em qualquer país é sua música típica. É sempre interessante conhecer as bases da música de uma cultura, os instrumentos utilizados, a forma como se canta. É quando você começa a conectar os pontos e descobrir semelhanças entre diversos países, entendendo como as migrações influenciaram os estilos, como os instrumentos mudaram e se adaptaram a diferentes formas de tocar, etc.
Um exemplo é o instrumento coreano Gayageum (do qual eu já falei aqui, e onde há vídeos amadorzézimos desse que vos escreve aqui e aqui):
Muito similar a ele é o Koto japonês:
Ambos têm uma origem parecida, pois derivaram do instrumento chinês Guzheng:
Ora, considerando-se que a China foi a principal influência do Leste Asiático, não fica difícil crer que os três instrumentos estão relacionados entre si. Com isso também deduz-se muito a respeito da transferência de cultura entre os povos.
Mas o interessante é notar que, apesar da semelhança entre os instrumentos, as músicas são bem diferentes quando comparadas. Abaixo, o Gayageum:
Em seguida, o Koto japonês:
E comparem com a melodia chinesa ao Guzheng:
Três instrumentos muito similares, três tipos de música muito diferentes, sob todos os aspectos: harmonia, melodia, ritmo, tudo.
Na Coréia, em termos de música típica, a coisa não é diferente do resto do mundo. A música clássica ou folclórica coreana é tão rica quanto a brasileira ou qualquer outra. O difícil é conseguir ir atrás, no meio dessa avalanche de grupinhos irritantes de K-Pop que tomam todo o espaço.
Quando fizemos nossos cursos de música tradicional coreana (mais vídeos aqui e aqui), pudemos ter mais contato com a música típica do país. Minha professora de Gayageum era, obviamente, uma acadêmica, e foi com ela que tomei contato inicial com o Pansori.
Literalmente, Pansori significa "sons onde as pessoas se reúnem", e é um estilo musical facilmente identificável. Geralmente, há apenas duas pessoas: um(a) cantor(a) e um percussionista. O canto é relativamente dramático, com muitos melismas e glissandos. À primeira vista parecem músicas tristes, chorosas, mas às vezes falam de alegrias, vitórias:
O canto é quase que uma declamação. É preciso muita disposição para a coisa. Importante também são os pequenos gritos de encorajamento dados pelo percussionista, que fazem com que o cantor siga em frente (semelhante aos "olés" na música flamenca, nas sevilhanas).
E quanto mais idoso(a) o cantor, mais interessante ainda fica o Pansori:
O leque tem dois objetivos principais: enfatizar os movimentos do cantor e também indicar mudanças de cena. E, esteticamente, é interessante mesmo.
E quando a cantora ainda faz alguns atos cômicos, fica mais agradável de ver e ouvir a performance:
Assim como a música clássica ocidental, leva-se um tempo até assimilar o Pansori. Não é na primeira audição que ele te pega. E "ver" é sempre melhor que só ouvir, pois toda a movimentação e a energia dos intérpretes deve ser também experimentada.
Agora, o que acontece quando você mistura Heavy Metal com Pansori??? Resposta: você tem uma das coisas mais legais que eu já ouvi na Coreia: Gostwind, uma banda de Korean Folk Metal! Como diríamos em inglês, eles são "badass"! Ouçam:
É por isso que eu sempre falo que a cena underground coreana é infinitamente superior ao mainstream. Mas o que vende é menininhas com plástica rebolando e moleques com cara de anime japonês dançando, então...
E falando em coisas típicas de países, domingo passado a Selma fez uma feijoada campeã, e convidamos alguns colegas brasileiros que também estão perdidos aqui por esses lados da Coreia pra almoçarem com a gente: Rebeca, Henrique, Gustavo, Briza, Ágatha, Juliano, Eun Bee (coreana, mas com português de sotaque paulista). Foi um domingo longo, o almoço emendou com a janta, bem no esquema família-Brasil mesmo. E a Beatriz ficou maluca com todo o assédio, claro.
(O pessoal tirou fotos, mas nenhum desgramado fez a gentileza de enviá-las ainda. Tem jeito, mineirada??)
Para os desavisados, provavelmente a primeira reação à imagem abaixo seria de revolta:
Nazistas na Coreia? E assim, publicamente expostos?
Primeiramente, um olhar com mais calma revelará que a Suástica da janela não é a mesma adotada pelos nazistas: a da janela, além de não ser inclinada, tem seu braço superior apontando para a esquerda (ao contrário da suástica nazista que aponta para a direita).
Em segundo lugar, assim que você chega à Ásia, uma das primeiras coisas que você aprende é que esse símbolo é usado amplamente pelos budistas. Principalmente nos templos mais escondidos, esse sinal é utilizado para identificá-los. E também nos não tão escondidos assim:
A Suástica é um símbolo utilizado há séculos, principalmente como símbolo de sorte, em amuletos e talismãs. Há indícios de uso no hinduísmo, além do budismo, e também em diversas civilizações e culturas, como a Celta, Persa, Grega e muitas outras mais. Hitler simplesmente se apropriou da figura e fez com que a mesma se tornasse um sinônimo de ódio e racismo.
A propósito, o Nazismo e seus símbolos são extremamente execrados no Ocidente mas, no Oriente - especialmente, na Ásia - a coisa não é tão forte assim. O significado do Holocausto, o massacre, o racismo dos nazistas, e tudo mais que foi propagado por Hitler e suas tropas é muito presente na memória européia e americana ("americana" = todas as Américas), mas não tem o mesmo apelo aqui por esses lados, especialmente na Coreia.
Prova disso são as diversas propagandas com temática nazista, incluindo comerciais de TV, bares, etc. . Os coreanos não fazem nada disso por mal, nem com intenção de chocar ninguém: a questão é que a informação sobre o nazismo por aqui não é tão significativa como no outro lado do mundo, então, não há essa indignação costumeira mediante qualquer coisa que lembre remotamente essa fase negra da humanidade.
Exemplos abaixo, bares aqui na Coreia, famosos pelo nome:
Foto de geostorm.org
Foto de "Key West and Other Fantasies"
Garoto coreano fazendo cosplay:
E um comercial de cosméticos que causou furor na mídia internacional, com repercussão na CNN, Alemanha, Bélgica e muitos outros países. O comercial foi editado, os símbolos e o nome de Hitler, removidos. Um pouco do caso pode ser lido aqui:
Depois desse comercial, devido à repercussão que teve, os coreanos começaram a tomar um pouco mais de cuidado com a temática nazista. Claro, os bares devem estar por aí ainda, mas imagino que na TV os comerciais não terão mais vez.
Semana passada, Efeito Ambulância? Não, "Efeito Beatriz" mesmo. Se eu cobrasse cada foto que pedem pra tirar...:
E a nossa Beatriz completou 9 meses nessa semana que passou. Está crescendo, comendo muito bem, e começando a dormir mais, para alegria dos pais. Saibam mais no Sentada na Pia.
Parabéns pelo "mêsversário", filhota!
E no Konglish da semana, uma frase que não conseguimos desvendar o significado (estava escrita no espelho do banheiro feminino de um restaurante aqui):
"Even if loved horse can stop, love cannot stop"
(algo como "Mesmo que cavalo amado possa parar, o amor não pode parar"...hein?)
Se algum dos descendentes de coreanos que acessam o blog conhecerem o provável ditado original, por favor, escrevam nos comentários. Estamos curiosos!
Pra quem lembra, no ano passado enunciei duas teorias: o Efeito Brendan Fraser e o Efeito Ambulância (é só clicar nas palavras em azul ao lado para relembrar). É hora de falar do "Efeito Moisés".
A Coreia é um país pequeno, mas com uma população grande para sua área. Quando pensamos em Seul, a coisa fica mais crítica ainda: com cerca de 10,5 milhões de pessoas (dado de Dez de 2008), sua densidade demográfica é de 17 mil pessoas por km2, sendo uma das 50 cidades mais densamente povoadas do mundo ! Como referência, a densidade demográfica de São Paulo é de 7 mil pessoas por km2...e olha que São Paulo tem gente...
Dá pra entender o que tem de coreano na rua?
Com isso, uma das coisas mais inevitáveis é trombar em pessoas pela rua. Trombar literalmente, isto é, bater ombro com ombro, dar de cara com alguém olhando pra trás, pisar no pé, e por aí vai. O interessante é que ninguém pede desculpas. Algo que, a princípio, soa como "falta de educação", mas "educação" é algo bem abrangente e, me atrevo a dizer, regional.
Andando pelas ruas do Japão - outro país "lotado" - você não observa o mesmo fenômeno. E, quando alguém tromba em você, prepare-se: a pessoa desfiará um rosário de desculpas. Ela pára, vira pra você, abaixa e levanta o corpo diversas vezes e pede desculpas antes de continuar seu caminho.
Alguns teóricos argumentam que, por tratar-se de uma ilha, o Japão não teve outra forma de se desenvolver a não ser através da tolerância e polidez extrema. Ora, num pedaço de terra pequeno, cercado por água, é melhor todo mundo se comportar, senão vira uma verdadeira panela de pressão. Sem ter por onde evadir, a coisa explode com facilidade. Então, melhor todo mundo estar de bem com todo mundo.
Na Coreia, a coisa é diferente. Como nos apresenta Won-bok Rhie em seu excelente livro "Korea Unmasked", a lógica coreana envereda por outro caminho: com tanta gente na rua, não tem como não trombar um no outro. "Isso é normal e nós coreanos estamos acostumados. Não precisamos pedir desculpas, pois somos todos coreanos".
Ou seja, "educação" é algo relativo: na nossa cultura somos ensinados a pedir desculpas quando isso acontece. Na cultura coreana, isso não é necessário, assim como "pedir licença" para passar. Somos todos coreanos, aqui tem muita gente, é só empurrar e passar. Na Coreia, isso não é errado ou considerado "falta de educação".
Para o estrangeiro, esse é um dos pontos que mais incomoda quando se chega à Coreia: no metrô, no elevador, ao atravessar portas vai-e-vem...depois de um tempo, você se acostuma (ou fica louco).
Mas navegar por esse mar de gente demanda técnica e astúcia. Ao longo dos primeiros meses em solo coreano, eu sempre me sentia meio como Neo em sua primeira visita ao simulacro da Matrix, com Morpheus, após seu despertar:
Por diversas vezes, eu percebi que, ao olhar para as pessoas que vinham em minha direção, caso elas notassem meu olhar, elas raramente alteravam sua rota, e entravam em modo de colisão. Eu desviava. Até hoje não sei se eles miravam ou se valia a lógica chinesa: "se você está olhando, você é responsável pela ação".
Momento cultural: um colega que mora em Shanghai disse-me que, ao entrar para o grupo de "night bikers" de lá, ele recebeu uma lista com recomendações. Uma delas dizia: "ao atravessar um cruzamento, JAMAIS olhe para os lados. Se o motorista que está vindo perceber que você o viu, ele não diminuirá a velocidade. No caso de um acidente, VOCÊ será o responsável, pois viu o carro antes". Curiosidades...
Um dia, resolvi testar uma hipótese: e se eu não olhasse para frente, o que aconteceria? Bem, aconteceu o que eu esperava: Efeito Moisés total!
Isso mesmo: todo mundo começou a sair da minha frente, eu me sentia o próprio Moisés dividindo o Mar Vermelho! Ora, se não estou olhando, eu não tenho culpa se alguém trombar em mim. Então, todo mundo começou a desviar. E, daí em diante, foi só aprimorar a técnica e usar sempre que necessário.
Alguém irá perguntar: e se duas pessoas, ao mesmo tempo, não estiverem olhando e trombarem? Bom...vai ser um estrago. Mas, até hoje, foi só sucesso, nenhum contratempo. Técnica aprovada e patenteada: Efeito Moisés!
Obs.: "Efeito Moisés" também pode designar o efeito causado por um péssimo DJ em uma casa noturna. Quando ele toca, a pista se abre e não sobra ninguém. Quem me contou essa foi o DJ Akeen, quando fiz um curso com ele há uns bons 7-8 anos atrás.
Em 1o. está Tóquio, em 2o. Hong Kong e em 3o. Lagos, na Nigéria. Das 276 cidades da lista, a única brasileira é Brasília, em 86o. lugar.
Ano passado, Seul estava em 41o. Posso entender o fato de Seul cair um pouco em função, principalmente, da desvalorização da moeda (mais de 40%) no início de 2009. Mas ir para 163o. me parece demais. Afinal de contas, muita coisa básica aqui ainda é extremamente cara. Ontem mesmo, no supermercado, vimos o preço do quilo do arroz subir para KRW 4,000 (US$ 3.40, ou cerca de R$ 6). Frutas e legumes, também, sempre muito caros (devido às taxas e aos intermediários).
Outras coisas, por outro lado, são mais baratas: por exemplo, almoçar (bem) num restaurante coreano simples vai lhe custar uns KRW 5,000 (uns R$ 7,70). Provavelmente, você vai gastar, no mínimo, o dobro num restaurante por quilo no Brasil.
Se bem que eu não gosto de ficar convertendo. Quando viajo, sim, converto antes de comprar algo, pois minha base salarial está em outra moeda. Aqui, no entanto, como sou remunerado em KRW, não faz sentido ficar convertendo a toda hora, pois meu gasto é na mesma moeda. O ideal é ajustar seus gastos e custo de vida para a moeda local e partir daí. Dessa forma, é possível balancear o que vale a pena comprar ou não, com exceção do que é necessário (leite, pão, arroz, vegetais, etc.). Se bem que, quem conhece a gente, sabe a dupla de murrugas que somos, então...
E amanhã é aniversário da patroa! Favor parabenizarem-na!
Em notícias relacionadas, mãe e filha de um homem acusado de molestar sexualmente sua filha entraram com um recurso a fim de pedir uma pena maior para o homem (a sentença atual é de apenas 2 anos)...
Falando de coisas boas, durante o feriado aproveitamos para estrear o novo carregador da Beatriz num parque aqui perto de casa, o Yongsan Family Park.
Momento cultural: aula de geografia coreana
A Coreia do Sul (ou, mais corretamente, a República da Coreia) é um país dividido em 8 províncias, chamadas "do", em coreano:
Além das 8 províncias há 6 "cidades metropolitanas" (Pusan, Incheon, Daegu, Gwangju, Daejeon, Ulsan) e 1 "cidade especial", que é Seul, a capital do país. Apesar de essas cidades estarem geograficamente dentro das províncias, elas são consideradas separadamente em termos administrativos. Por exemplo: Seul está localizada na província de Gyeonggi (Gyeonggi-Do), mas não se associa Seul à essa província, formalmente.
Dentro de cada província encontram-se as cidades ("si" em coreano). Dentro de Gyeonggi-Do, por exemplo, há a cidade de Ilsan (Ilsan-si). As cidades, por sua vez, são divididas em "distritos", chamados "gu". Exemplo: um dos mais importantes distritos de Seul é o Yongsan, ou "Yongsan-Gu" (que é o distrito que dá nome ao parque acima e, também, é o distrito onde moramos).
E o próximo nível são os bairros, dentro dos distritos. Os bairros são conhecidos como "dong". Nosso bairro, para ilustrar, é o "Hannam-Dong".
*só pra exemplificar pois, na verdade, sendo uma cidade especial, além de não ser associada a Gyeonggi-Do, o nome correto é Seul "Teukpyeolsi", e não Seul-Si.
Fim do momento cultural...
De volta ao parque, a área pertencente ao atual Yongsan Family Park era, anteriormente, um campo de golfe dos militares estadunidenses estacionados em Yongsan. Em 1991, a área foi devolvida ao governo de Seul e em 2005 o parque foi entregue ao público.
Com a Beatriz instalada, partimos para a caminhada:
O parque é pequeno, mas agradável. E, como fomos pela manhã, ainda estava vazio, dando uma atmosfera mais calma ao local:
O parque abriga um pequeno jardim de "pagodas" (construções religiosas comuns por toda a Ásia, geralmente, budistas):
Obs.: a palavra "pagoda", suspeita-se, originou-se do termo português "pagode", de mesmo significado ("templo de uma religião oriental"), cuja primeira utilização data do início do séc. 16. MUITO ANTES da apropriação pelo estilo musical praga atual...(e, segundo fontes históricas, pagode era também o termo utilizado para as festas nas senzalas).
Abaixo, mais algumas fotos do parque:
Que eu não suporto K-Pop muita gente já sabe. Na minha extremamente humilde opinião, o gênero é bem ruizinho. Por ser coreano? Não(aliás, posso garantir que o C-Pop e a produção similar no Sudeste Asiático é bem pior). Por que, então? Além da pobreza musical e falta do fator "origem suada, real e natural", o estilo(!?) é irritante, assim como outras pérolas do cancioneiro pop mundial. Claro, o fato de ser baseado em grupinhos idênticos entre si, com integrantes que mal sabem cantar, coreografias pra lá de fracas, e que surgem na mídia mais rápido do que você pode absorver e descartar ajuda também...
Mas não estou aqui pra detonar o K-Pop. Deixa isso pra outro post específico. Hoje quero dizer que tem 1 (um) exemplar do K-Pop que eu acho sensacional! O melhor de todos! Imbatível! E desafio alguém a achar algo melhor que essa dupla!
O motivo: os caras não se levam a sério. É só prestar atenção na letra da música. Seriam os Mamonas Assassinas da Coreia? Não sei. Só sei que essa música abaixo é a campeã!
Com vocês... NoRaZo, e seu hit "Chupoman" !!! (ou melhor, "Superman"):
Um caso que ganhou notoriedade na internet coreana e agora está sendo veiculado também na midia em língua inglesa é um dos mais chocantes que eu já vi até hoje: um tal de "Sr. Jo", de 57 anos, estuprou violentamente uma menina de 8 anos de idade, de forma que seu ânus, colon e genitais foram destruídos (literalmente). Segundo os médicos, ela viverá pelo resto de sua vida com os ferimentos, mesmo após os procedimentos cirúrgicos e tratamentos. Segundo os especialistas, hoje não há esperanças para ela.
O crime já é horrível por si só, e sabemos que isso pode ocorrer em qualquer lugar do mundo, não só na Coreia, mesmo apesar de se ler muito sobre estupros por aqui. Mas em uma menina dessa idade...
Pois bem, o pior vem a seguir: em resumo (e depois eu deixo os links para quem quiser ler mais), o tal Sr. Jo foi condenado a apenas 12 anos de prisão. O motivo: ele estava bêbado, então, ele tem uma desculpa que atenua sua pena.
Cada um coloque-se no lugar da menina ou dos pais dela. Acessando este link aqui pode-se ler o caso, e alguns depoimentos da própria menina e de seus pais. Os internautas coreanos pedem a pena de morte (que ainda é praticada na Coreia), e seu pai diz que, se não é possível aplicar a pena de morte, ao menos que ele seja aprisionado para sempre.
A mãe da garota apelou ao Presidente da Coreia, revelando detalhes do sofrimento de sua filha: pelo resto da vida, ela terá que drenar suas fezes como água, já que seu sistema digestivo foi destruído, enquanto que o animal ficará apenas 12 anos na prisão. Este link aqui traz as palavras da mãe, e um desenho feito pela menina, que está sofrendo no hospital.
Vamos deixar a coisa um pouco mais nefasta: além do fato "estar bêbado" ser, realmente, um atenuante legal na Coreia, o fato de o maldito ter pego apenas 12 anos deve-se à lei coreana. Crimes "desse gênero", ou seja, estupro de um menor, pegam de 6 a 9 anos e, em casos mais "extremos", a pena vai de 7 a 11. Então, 12 anos foi até "muito", considerando a atual legislação coreana (que, provavelmente, receberá muita atenção agora, em função da exposição gigantesca).
De acordo com uma das agências de notícias, o juiz havia decidido por prisão perpétua. Mas como foi comprovado que o ajoshi estava bêbado, as regras são claras: a pena poderia ser apenas entre 7 e 15 anos. Mas informações podem ser obtidas aqui.
É de virar o estômago. A propósito, este outro link traz estatísticas mostrando que, em 2008, penas severas foram dadas mais para casos de roubo e assassinato que para crimes sexuais. Além disso, um estudo mostrou que a cada 1000 presos, apenas 4 ou 5 receberam uma sentença de no mínimo 10 anos. Prisão perpétua foi imposta em 20 casos de assassinatos, 17 de roubos e 8 de crimes sexuais.
Fora isso tudo, o precedente que se abre é assustador: quantos outros maníacos não se sentirão tranquilos para continuarem cometendo seus crimes? Ora, 12 anos não é nada perto do que a menina sofreu e está sofrendo e, segundo ouço por aqui, as prisões coreanas não chegam nem perto das prisões no Brasil ou EUA em termos de "justiça atrás das grades" (e vocês entendem do que estou falando). Ou seja, o risco é pequeno para um doente como esses (e sempre tem a desculpa da bebida).
Não sei como é a lei brasileira para estupro de menores mas, considerando o caso do pai da menina no Brasil que foi acusado de pedofilia, imagino que a lei seja severa. E mais: ainda há a discussão se foi crime ou não. No caso coreano, está mais do que provado e comprovado.
Lei coreana idiota. Só posso esperar que a menina se recupere da melhor forma que conseguir, e que algo revolucionário ainda aconteça nesse caso.
E, pra terminar: isso sim é motivo para uma vigília e passeata no centro da cidade. Não aquela estupidez sem fim do ano passado no caso da "vaca louca", incitada pela TV e depois desmascarada.
via koreabeat
E aos meus críticos: não estou aqui "generalizando e dizendo que os coreanos são ruins", "dizendo que a cultura não vale nada", etc. . Estou sendo muito preciso: estou falando da lei. Mais claro, impossível. Mas se alguém aí ainda conseguir achar que estou "atacando o país expondo só uma exceção", ou algo do gênero, parabéns. Joguem as pedras.
Semana que vem eu apareço com algo mais agradável, prometo.
Serviço de utilidade pública aos brasileiros que residem na Coreia: a Embaixada do Brasil está patrocinando um recital com a pianista Leda Kim, referente aos 50 anos de amizade Brasil-Coreia. A pianista interpretará obras de Villa-Lobos(então, devem estar comemorando, também, os 50 anos da morte de Villa-Lobos), no Sejong Center, e os primeiros 50 brasileiros (quanto 50!) que enviarem um email para a Embaixada ganharão ingressos de graça (quero dizer, são no máximo 49 agora, pois já garanti o meu). Maiores informações, cliquem aqui.
Eu gosto de Villa-Lobos. Apesar de eu ser um fã convicto do Barroco, e não ser muito fã de música clássica do séc. 20 (com algumas exceções aqui e ali, como Ravel, de Falla, Stravinsky, Joaquin Rodrigo), Villa, para mim, se sobressai. Talvez seja a bela mescla que ele faz com a música folclórica brasileira, ou sua música de câmara que é algo fantástico. Além disso, Villa propagou a música brasileira muito mais que outro célebre compositor nosso, Carlos Gomes, este no séc. 19. Claro que "O Guarani" é uma obra-prima (entre outras obras-primas que ele compôs), que fez com que Carlos Gomes fosse comparado aos grandes mestres italianos da ópera (como Verdi, por exemplo), mas ele não tem um "Trenzinho do Caipira"...
Em Seul, algumas semanas atrás estivemos andando pela cidade, caminhando pela nova área de Gwanghwamun, próxima à prefeitura, onde há o maior palácio, o Gyeongbokgung e onde acontece a maioria dos protestos coreanos. Ou "acontecia", pelo que entendemos...
Estávamos para atravessar a avenida quando uma moça nos abordou, apresentando-se como "jornalista", e perguntando o que achávamos da nova área de lazer.
Explicando: antes, era apenas uma larga avenida:
A prefeitura então investiu e construi uma espécie de longa "ilha" no centro da avenida, um grande calçadão, com fontes, jardins, etc.:
Nossa resposta foi que a obra ficou interessante, afinal de contas, o povo tinha agora mais uma opção de lazer, o local ficava mais bonito, e que o único problema era a falta de árvores. Já que era um projeto novo, podiam ter colocado algumas árvores para dar um ar mais aconchegante, ao invés de tanto concreto. Fora isso, tudo bem.
Ela ficou nos olhando com o famoso olhar coreano de indagação, e disse "Oh...verdade? Então, vocês gostaram?". "Sim, gostamos", foi a resposta. Aí ela nos perguntou se sabíamos que aquele local era usado para protestos anteriormente...
"Claro", respondi, "foi quando teve aquela coisa toda da vaca louca, não?"
"Ah, é, então, antes, o povo podia fazer os protestos aqui. Agora, se quiser, tem que pagar uma taxa para usar o local..."
Hein?
Os protesteiros de plantão me esclareçam, por favor: no Brasil também tem que pagar pra fazer protesto na Paulista? Eu acho que não mas, se for ignorância minha, favor iluminarem minha mente.
Perguntamos à garota se isso era fato, e ela confirmou. Mas dissemos "se é protesto, por que vocês não vão chegando e tomando conta? A polícia não faz nada mesmo, não dá pra responsabilizar um monte de gente, é chegar e protestar, ora!". Ela deu uma risadinha sem graça - acho que não fez muito sentido pra ela o que dissemos - e não soube o que dizer. Reforçamos: nunca vimos pagar pra protestar, que papo estranho...ela viu que não tinha mais muito o que fazer ali e foi embora. Isso foi esquisito.
Mais uma fotinho do local, com a Beatriz brava por causa do sol e do sono:
E hoje ela completa 8 meses! Parabéns, filhota!
Eu não sou um cara fanático por carros, mas posso dizer que conheço "um pouco" do assunto. No que diz respeito à indústria automobilística coreana, uma coisa era clara até alguns poucos anos atrás: o design dos carros era algo tenebroso. É só ver a frota coreana para notar a pobreza no design (especialmente os Ssangyong). Contudo, a partir de 2006, as coisas começaram a mudar, com as montadoras ficando mais arrojadas, apostando em linhas mais modernas.
Um exemplo é a Chevrolet Captiva que é, na verdade, baseada na Winstorm, uma SUV projetada aqui na Coreia:
E não são somente os carros grandes. Um carro que com certeza vai estourar no mercado local e no exterior (a Coreia é uma potência exportadora de veículos) é o novo Matiz Creative, da família dos carros bem pequenos (padrão Celta):
A imprensa especializada já está elogiando o carro, que tem padrões de segurança acima da média para carros desse porte. E vem mais por aí.
E se você acha que já viu ele em algum lugar, talvez foi aqui:
Sexta-feira é feriado aqui na Coreia, o Chuseok, ou o "Ação de Graças" coreano, talvez o mais importante feriado do país. Época do ano de presentear com kits de alimentos, produtos de beleza, caixas com 1 dúzia de laranjas de US$ 100...mas, principalmente, tempo de os coreanos honrarem seus ancestrais e seus familiares.
Foto daqui: danielleandaj.wordpress.com
Ficaremos por aqui, pois todo mundo viaja pro interior da Coreia (enfrentando congestionamentos muito piores que os Anchieta-Imigrantes), e Seul fica vazia!
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