De verdade. Em função de 2 viagens uma em cima da outra (de 2a. a 4a. na China, avião pro Japão, chegada em Nagoya na 4a. à noite, reunião atrás de reunião, de volta pra Coréia na 6a. à noite), o estômago foi pra casa do chapéu, deu "malestar", fiquei totalmente estragado. Ontem já entrei no eixo, mas foi bem embaçado.
O que aliviou um pouco foi a passagem pelo Japão. Mesmo sem ter tempo de passear, antes de pegar o trem para o aeroporto deu para bater uma foto aqui e outra ali. Como eu sou fanático pelo Japão (ora, vejam AQUI e AQUI, e o vídeo AQUI), valeu a pena mesmo na correria:
E as cerejeiras já começam a dar seu show, mesmo em Nagoya. Imagino Kyoto como deve estar ficando, agora na época da Sakura:
Interessante ter visto esta placa, num terminal de ônibus da cidade:
Repararam? Em todos os lugares do mundo, é muito comum ver traduções para o inglês, espanhol e francês. Muitos, também para o japonês. Mas achei bem interessante uma placa indicativa, no Japão, ter a tradução para o Português! Ok, brasileiros no Japão são muitos (cerca de 300 mil?), mas não esperava por isso. Nagoya é um ponto tradicional de brasileiros em função de ser uma cidade tipicamente industrial?
E conversando com os japoneses e observando-os, fica cada vez mais fácil entender a diferença entre eles e os coreanos. Não vou colocar aqui no blog minhas impressões a respeito disso a fim de tentar deixar este espaço o mais neutro possível, mas vou falar brevemente sobre algo notável: roupas masculinas.
Traje tradicional do japonês no escritório: terno preto. Em 99% dos casos. Sóbrio. Mais nada. Podia ter um azul marinho, às vezes aparece um cinza mas, no geral, preto. Ok, bem formal. Podia ser um pouco mais diversificado.
Traje tradicional do coreano no escritório: terno prata! Prata??? Sim, prata. Cinza? Não, e' prata mesmo. Não acredita, certo? Bom, veja abaixo:
Isso foi uma febre no ano passado, mas ainda perdura. Lembram do Homem de Lata do "Mágico de Oz", aquele que queria um coração? O próprio:
Sinceramente, eu acho muito feio, e a patroa compartilha da mesma opinião. Mas gosto é gosto, não se discute, se lamenta, e vamos em frente.
E o que vai em conjunto com o pratinha aí em cima também é digno de nota. Vejam abaixo algumas vitrines de Seul, com o último da moda, ahn, masculina, e suas combinações camisa-gravata-colete (na 2a. foto, vejam os conjuntos no canto superior esquerdo):
Um pouco de cor é bom, mas...enfim...
E nem deu pra gente comemorar nosso 2o. aniversário de casamento, que foi nesta semana que passou, já que o mané estava fora (e quase 2 anos de Coréia também). Pra não passar em branco, aí vai outra caricatura nossa feita ano passado, em Tóquio (a primeira está AQUI, feita no Brasil, 2 anos atrás). Interessante ver como a caricaturista japonesa nos retratou, ressaltando características que no Brasil passariam batido. Ou seja, enxergamos as pessoas, realmente, segundo nossas únicas referências, e nada mais:
OBS.: legal ver os novos amigos virtuais deixando comentários.Voltem sempre!
Um post que começa com a palavra "trivialidades" nem merece ser lido, diga a verdade...até parece que vai querer começar a torcer a língua e falar difícil...mas não é o caso, pode deixar...foi só uma palavra que estava aqui no meu glossário (tá esbanjando hoje), e deu vontade de usá-la. Xarope...
Tinha algumas coisas encavaladas aqui pra mostrar o quão peculiar é esse lado do mundo, então fiz um catadão, e vou colocá-las aqui neste post:
1) Se levar pra casa, perde 100 conto (KRW 100 = R$0,20)
Aqui nos supermercados coreanos, pra usar o carrinho tem que pagar. Quero dizer, não é bem pagar, pagar. Funciona assim: os carrinhos ficam todos presos uns nos outros, conectados por correntes:
Pra liberar o carrinho, tem que colocar uma moeda de KRW 100 (100 Won, o que dá uns R$ 0,20). Aí, você usa o carrinho e, na hora de ir embora, coloca ele de volta entre os outros, conecta novamente a corrente, e recupera sua preciosa moeda. A pergunta é: qual o sentido de se utilizar a moeda? Se for de graça o pessoal vai levar o carrinho pra casa? E colocando a moeda não dá pra levar também? E quem é que vai querer levar um carrinho de supermercado pra casa? Ou é só pra aumentar a bagunça e a zona que é o supermercado? Procuramos respostas que iluminem nossa mente, palpites são bem-vindos...
2) Entupiu? Dá uma de migué e sai de fininho...
Os coreanos são treinados desde pequenos a seguir padrões pré-estabelecidos. Assim é o sistema de educação, assim é a vida familiar, assim é a vida profissional (o quanto isso nos dá dor-de-cabeça é algo que não cabe neste blog). Os coreanos são condicionados a seguir ordens e diretrizes, sendo que a pergunta "O que você acha?" faz com que o cérebro da maioria entre em curto e eles espanem, pois nunca estiveram em posição de achar nada. Ou seja, esqueça qualquer tentativa de discussão, brainstorming, coisas do gênero. Não sai nada.
Enfim, as coisas mais simples podem ser um problemaço, já que falta aquela habilidade "ferrou aqui, vou por ali". Com isso, não é de se espantar que ordens e procedimentos estejam nos lugares mais sinistros e obscuros da nação. Inclusive nos banheiros! Ok, uma plaquinha dizendo "favor não jogar papel higiênico no vaso" pode estar em qualquer banheiro do mundo mas, uma instrução explicando o que fazer se a privada entupir, com o desfecho dessa aqui que a Selma viu numa certa empresa, só aqui (abaixo, o texto em "Kongrish" e traduzido):
- What to do when a toilet get blocked! (O que fazer quando o banheiro entupir!)
Don't feel embarassment. (Não fique com vergonha)
Don't flush the toilet when a toilet get blocked. (Não dê a descarga quando o banheiro entupir)
Hang toilet paper on the door. (Pendure papel higiênico na porta)
Go out of the restroom as if nothing has happened. (Saia do banheiro como se nada tivesse acontecido)
O cúmulo da miguelice! Uma forma de oficializar a saída à la leão-da-montanha. Uma maneira de justificar que seu cocô ferrou o encanamento e que a culpa não é sua pois, como diz o santo procedimento, se você pendurar o papel na porta, você pode sair numa boa, e tudo bem. Não que você tenha que resolver o problema (afinal de contas, cocô travador é uma realidade universal), pois alguém que cuide da limpeza pode fazer isso com os utensílios adequados rapidamente. Mas o ponto é a fator "justificador", como se fosse algo proibido e você tem que seguir a regra pra não se complicar depois. Entupiu? Paciência, nem todo mundo anda com um Diabo Verde e um desentupidor de privada no bolso. E olha que a comida deles aqui propicia uma atividade intestinal de primeira linha...
3) Não entendeu? Pergunta, $¨%$# !!!
Isso não aconteceu aqui, foi um dia na China. Mas vale o caso.
Assim como os nomes orientais são um problema para nós ocidentais, o inverso também é verdadeiro. No nosso lado do mundo, é muito claro que Renato, Selma, Maria, Paulo, Roberto, etc. não são sobrenomes. Somente temos trabalho às vezes para explicar os que são mais complicados que o normal.
Aqui na Ásia, ninguém tem a obrigação de saber que "Renato" é o primeiro nome. Principalmente pelo fato de Chineses, Coreanos, Japoneses e outros se identificarem pelo sobrenome em primeiro lugar. Exemplo: o hipotético Sr. "Dongchan Lee" ("Lee" é o sobrenome) aqui é conhecido como "Lee Dongchan". E visto que nomes latinos, germânicos e outros não são famosos por estas redondezas, "Paulo" pode ser nome, sobrenome, qualquer coisa. Obviamente, nomes estadunidenses e ingleses são mais fáceis para eles, pois estão mais expostos a isso. Então, "Mark" sempre será um primeiro nome, e não um sobrenome. O mesmo para "Peter", "John", "Steven", etc. .
Mas o ponto é: não entendeu, pergunte! Só que a "vergonha" em perguntar é maior, então acontecem as bobagens...
Chegando num hotel na China, a recepcionista pega meu passaporte e começa a folheá-lo freneticamente, provavelmente, procurando meu nome. Eu pergunto se ela precisa de ajuda, a resposta é "não, está tudo bem". Sabendo que vai sair caca, fico só esperando. E, claro, sai besteira. Naquele dia, fui santificado: virei "São Paulo". A prova:
O mais legal foi eu perguntando "Com licença, posso tirar uma foto?". Ela não entendeu na hora mas, depois da foto, eu falei "Olha, São Paulo é onde foi emitido o passaporte, viu? O nome é este aqui, ó...". A vergonha aí foi maior, principalmente porque outras duas recepcionistas chegaram junto pra ver o que estava acontecendo e começaram a tirar o sarro.
Ok, não conhecer nomes latinos é uma coisa mas, será possível que ela nunca ouviu falar em São Paulo? E, mesmo que nunca tenha ouvido, se está com dificuldade, PERGUNTA!!! Parece homem perdido no trânsito, que não pergunta nem a pau...
Bom, mudando de assunto, aí vai uma dica de leitura pra quem interessar: "A Estrada", de Cormac McCarthy:
Um dos nosso hobbies é a leitura, e peguei essa dica na internet, no final do ano passado. Comprei-o durante as férias no Brasil, e li o livro no vôo de volta pra Coréia. Sei lá, acho que levei umas 4-5 horas para lê-lo inteiro. O livro é muito bom, e fala sobre a luta pela sobrevivência de um pai e um filho num mundo devastado. O ritmo é ágil, sem rodeios. Cormac McCarthy é um dos principais escritores da atualidade, e é difícil largar o livro. Sugiro para aqueles que têm filhos.
Essa semana estou fora novamente, vou torcer pra inventarem outro nome pra mim no hotel, só pra podermos colocar aqui depois.
AVISO: sei que a maioria já sabe mas, para os leigos, sempre que tem algum texto assim, ou simplesmente em azul, significa que, clicando nele, você será direcionado para algum outro link com informações complementares. Ou seja, é pra clicar, ok?
Que o alcance da Internet é fenomenal, qualquer paramécio sabe. Desde que começou a se popularizar no Brasil lá pra 1996, a coisa assumiu proporções gigantescas, e só continua crescendo.
Lembro quando comecei a ficar "on-line": em 1994, comprei meu 1o. modem (o clássico US Robotics, 33.6 kpbs!), e nem tinha navegador instalado. Linha discada (claro) e assinei a "Mandic BBS" (lembram?). Conexão primitiva, aparência de mainframe, vintage total. Mas foi o início da vida virtual, participando de comunidades, chats, etc. . Em 1995 instalo meu "Netscape", e adentro o universo internético pra valer.
É quando começo a conhecer outras pessoas em comunidades e em sites de interesse comum. Já com o endereço de email definitivo, começamos a trocar mensagens e discutir assuntos: música, HQs, artes marciais, etc. . Daquela época, tenho amigos virtuais até hoje que participam das mesmas listas de discussão. Não amigos que cresceram e estudaram juntos, ou trabalharam lado-a-lado, mas amigos que se uniram em torno de um interesse comum, amparados por essa invenção do século 20, a internet.
Naquela época, a única coisa que eu conhecia da Coréia era o Tae Kwon Do...
Quando viemos aqui pra península coreana, decidimos montar este blog também, com o mesmo objetivo: manter contato. E, também, apresentar um pouco do país sob a nossa perspectiva (que não é a única, nem a definitiva). Afinal de contas, a Coréia não é muito divulgada no Brasil. Aliás, "Ásia" para nós, brasileiros, se resume a Japão e China, pois é o que chega aí na tupinicolândia. Bom, a comunidade japonesa no Brasil é gigantesca, e a China é assunto em todo o mundo, talvez isso justifique a escassez de informações sobre outros países asiáticos. "Coréia", no Brasil, significa três coisas, basicamente: Tae Kwon Do, Bom Retiro e José Paulino. E só.
O blog começou devagar, com os amigos visitando, deixando comentários. Mas o que aconteceu ao longo desses quase dois anos e mais de 22.500 acessos foi que, ao invés de vermos mais comentários de amigos, começamos a receber comentários de pessoas que não conhecíamos. Pessoas que provavelmente tinham a esperança de encontrar informações em português sobre a Coréia, e acabaram caindo aqui, imagino que via google: Zero, Bianca, Rafael, Bruna, Deborah, Sandra, Daniel, Marcelo, Mario, SM Soh, Fabricio, Sonia, Amanda, e muitos outros. E todos esses deixando sempre comentários positivos, que fazem com que a gente sempre tente melhorar, procurando mais informações e postando aqui as peculiaridades e bizarrices (tem em todo lugar, não tem?) do universo coreano.
São nossos novos amigos: visitem sempre, deixem comentários, dêem sugestões, perguntem sobre coisas que não falamos ainda. Aos poucos, vamos publicando o que conseguimos vivenciar, e sempre vamos atrás de coisas novas para entender um pouco mais a Coréia e a Ásia em geral. Por isso que, sempre que há uma oportunidade, tentamos conhecer outras paragens: estivemos no Vietnã, em Kyoto, Beijing e Xian, Hong Kong e Macau, Tóquio, Camboja. Há planos para Laos, Mongólia, Nepal, Tailândia e outros. Queremos também pegar o trem da rota Transiberiana (que vai de Vladivostok até Moscou). Quanto mais diferente e exótico, melhor. Difícil vai ser conseguir fazer tudo isso...
Importante: como mencionado acima, este não é um blog definitivo sobre a Coréia. São nossas impressões, nossas experiências, e nosso ponto de vista. Apesar de compartilhadas por muitos estrangeiros e brasileiros, nossas conclusões são pessoais, e cada um tem sua forma de ver a cultura daqui. Não há certo ou errado.
Em resumo: amigos de sempre e novos amigos, sejam sempre bem-vindos!
E com a primavera chegando, a temperatura vai subindo, felizmente. Estamos agora ao redor dos 10oC, o que é extremamente agradável. Com a umidade do ar baixa, o frio não é tão perceptível (10oC em São Paulo é uma Sibéria), e é bem tranquilo andar pelas ruas menos agasalhados. Graças a essa mudança de temperatura, os militares coreanos também não precisam ficar mais "treinando" no frio:
E algumas coisas ainda impressionam um pouco por aqui. Não sabemos se isso existe em outros países, mas é algo bem comum na Coréia:
Essa é uma foto do "Kim's Club", um dos supermercados que frequentamos. Como vocês podem ver, eles têm um estacionamento exclusivo para mulheres!
Sinceramente, nunca vimos isso em outros lugares, aqui na Coréia foi a primeira vez. Claro, no mundo inteiro a mulher tem esse estereótipo de ser ruim no trânsito (o que está longe de ser verdade). Sendo a Coréia um país extremamente machista, é natural ver algo desse tipo. Mas, falando francamente (como diria o Pica-Pau no desenho do robô "puxa-frangos": "Ora, Frankie, falando francamente...sejamos amigos, hein"), os homens aqui são tão ruins (ou piores) quanto a forma como eles vêem as mulheres motoristas. Ou seja, esse estacionamento feminino é BEM sem sentido. Já mencionei anteriormente que, em breve, teremos um post revoltado só sobre o trânsito...
Vai ter um show aqui da Celine Dion...tá, só pra vocês saberem...porquê nós não vamos, pois a gente NÃO GOSTA da Celine Dion! E em Abril tem um show do Duran Duran (anos 80 total!), a Selma está a fim de ir, vamos ver se vai dar certo.
Em relação ao ato de mamar propriamente dito (estou falando de bebês e amamentação), um dia comentaremos aqui. Os coreanos não mamam no peito quando bebês, tomam "fórmula". Por razões, aparentemente, aburdas...mas é assunto pra outro post.
Geralmente, vamos ao cinema por aqui. O esquema é bom, assentos são marcados, não precisa fazer fila, nem nada. E os filmes não são dublados, é como no Brasil, são apenas legendados. Mas isso nos deixa um pouco limitados, pois a oferta de filmes estrangeiros (entenda-se estadunidenses) não é muito grande, visto que 1) a indústria de filmes coreanos é grande e 2) há uma espécie de protecionismo onde a maioria dos filmes devem ser coreanos nas salas de cinema (nada muito diferente de alguns outros países).
No passado, disseram-nos que alguns filmes coreanos eram legendados em inglês, a fim de atrair o público estrangeiro. Mas a audiência não foi muito grande, então pararam com isso. Porém, no início deste ano, voltaram à tona a fim de testarem o mercado. E escolheram o filme abaixo, "A man once a Superman", para ser legendado em inglês e ser exibido num dos cinemas de Seul, visando os forasteiros:
A estória é um drama (como a maioria dos filmes aqui) sobre um cara que acha que tem superpoderes e ajuda todo mundo. Uma cineasta fica na sua cola a fim de produzir um documentário sobre sua vida, e as coisas se desenrolam a partir daí. O trailer está abaixo:
Como de praxe, gostamos de conferir a cultura local, e fomos ávidos ao cinema para poder ver o filme. Era um domingo, cerca de 15h. Ao chegar no caixa, o menino olha pra gente com aquela cara de "Ah, meu Deus, estrangeiros! E agora, o que eu faço..." (o que é muito comum na maioria dos lugares: os jovens que trabalham em caixas de lanchonetes, cinema, etc., entram em pânico quando estrangeiros chegam perto. Em compensação, as tiazocas nos restaurantes coreanos distribuem sorrisos, dão comida grátis pra gente, e conversam conosco em coreano como se estivéssemos entendendo tudo! Uma beleza!!! Aliás, já falamos desse fenômeno, basta clicar AQUI).
Eu, calmamente, com meu coreano nenesístico rudimentar pedi 2 ingressos para o filme acima. Suando em bicas, ele pede ajuda pra mocinha ao lado que nos responde em inglês que o filme legendado só é exibido aos sábados, na sessão das 21h...PÓ PARÁ!!!
Anunciaram em tudo que é canto de Seul que o filme teria legendas em inglês, é só ir e assistir, satisfação garantida, etc. e etc. . Aí, na verdade, é só uma sessão, que acaba sendo a "sessão estrangeiro" ! Pô, o que é que custa deixar a legenda lá ??? Não atrapalha ninguém !!! Tem coisas aqui que são MUITO difíceis de entender...
Fomos embora bem vacos da vida, e resolvemos deixar pra lá. Mas eis que, durante a semana, chega o email mensal de "atrações" em Seul, enviado pelo pessoal que coordena atividades culturais e tudo mais. E está lá, lindão: "Vejam o filme blá-blá-blá, legendas em inglês, tchu-tchu-tchu, etc.". Nós, que não deixamos barato, resolvemos responder, e enviamos um email informando que era papo-furado, só tinha uma sessão, um absurdo...qual não foi a surpresa com a resposta deles: "Pedimos desculpas pelo inconveniente, é uma pena que isso aconteceu, não sabemos o porquê. Sendo assim, por favor, nos informem seu endereço para que possamos enviar pelo correio, totalmente grátis, dois ingressos cortesia para vocês irem ao cinema quando bem entenderem. Lamentamos muito, vamos tentar melhorar sempre".
RÁ!!! Não acredita? Olha aí embaixo:
Já diziam nossas avós, "quem não chora, não mama" ! Lógico que não precisavam enviar os ingressos, mas foi uma forma de surpreender o cliente. Certíssimos, na era da competição ferrenha, ganha quem agrada mais o consumidor. E, provavelmente, vamos usar esses ingressos para o filme mais esperado do ano, HOMEM DE FERRO (os últimos 18seg do trailer são OS MELHORES!):
Semana passada os espertos aqui foram tentar esquiar. Brasileiro não é muito bom nisso, todo mundo sabe que nós, tupiniquins, e esportes de inverno não combinamos muito. Bom, quem pode vai pra Bariloche, Aspen, etc. . Nós, que nunca fomos, arriscamos umas escorregadas por aqui, num resort de esqui a uns 140km de Seul (informações sobre o trânsito em outro post específico, carregado de ira):
Obviamente, nos sentíamos naquele filme "Jamaica abaixo de zero". Dificuldade em se equilibrar, tombos, berros, canelas raladas, espacatchas (como escreve isso?) involuntárias...
Lógico que o mais humilhante era ver as crianças. Não, não é pré-adolescente, não. São crianças de 3-4 anos com esquis de plástico (que mais parecem comprados em uma banca de jornal), descendo pequenos trechos do morro com controle e velocidade. Os "maiores" (5-6 anos) desciam o morro lá do alto...como diria Charlie Brown (o original do Snoopy, não aquela banda), "Que...puxa".
Mas que é legal vê-los, é! A molecada é fera:
Claro que tem uns que apanham um pouco ainda:
E outros que só querem saber de moleza :
Ao final do dia, já estávamos melhorando. Agora, é esperar o próximo inverno pra treinar um pouco mais. Ou arriscar um snowboard...pronto, tá se achando...
A Selma foi hoje pra Tailândia, vai ter que ficar 2 dias por lá a trabalho. Semana que vem é o mané aqui que tem que viajar de novo, 3 dias em Melbourne, na Austrália (Helder, vai ser embaçado, mas entro em contato com você durante a semana). Tem gente que pensa "Uau, que legal!"...é, tá, vai ver que gostoso fazer esses bate-volta aeroporto-avião-escritório-hotel-escritório-avião-aeroporto. Quem viaja a trabalho direto sabe do que eu estou falando...é cansativo, desgastante, o jetlag acaba com seu organismo...mas tem que ir, não tem jeito...
Mas quando dá pra viajar num feriado ou de férias, aí vale a pena. Como quando estivemos em Kyoto, há 1 ano atrás (para ver as fotos, clique AQUI). E demorou pra fazer um vídeo com as fotos. Terminei ele na semana passada, quem quiser conferir, clique abaixo (que lugar fantástico):
E não passou em branco a visita de nossa amiga Edimara, que esteve em terras coreanas na outra semana, trazendo algumas "muambas" pra nós. Claro que ela queria fazer compras, então a levamos em Insa-Dong, a melhor região para Souvenir(e)s (caramba, não sei escrever mais nada!):
Sábado que vem voltamos às nossas aulas de música coreana. Nesse curso de primavera, nós dois faremos aula de Janggu, aquele tambor em forma de ampulheta (já mostrado AQUI). Estamos ficando quase sócios do local, colocam a gente até nas fotos de divulgação do site:
Ao final da 2a. Guerra Mundial, havia duas regiões demarcadas na península coreana: ao norte, o controle era soviético; ao sul, o controle era das Nações Unidas. A linha divisória era o Paralelo 38. O mesmo paralelo que hoje divide o país em Coréia do Norte e Coréia do Sul e que também compreende ao seu redor a "DMZ", ou "Zona Desmilitarizada".
Para entender um pouco mais sobre a divisão, vale ler sobre a Guerra da Coréia. Para quem interessar, clique AQUI.
A DMZ é uma faixa de terra ao redor do Paralelo 38 que serve como uma zona neutra entre as duas Coréias. Tem apenas 4km de largura e é a fronteira mais fortemente armada do mundo:
A DMZ foi criada em 1953, com o cessar-fogo na Guerra da Coréia e o armistício, sendo que cada lado recuaria suas tropas 2km do front. A propósito, como depois do armistício ainda não houve um acordo de paz, as duas Coréias ainda estão tecnicamente em guerra.
Isso significa que ainda há várias tropas de cada lado da linha, em constante estado de alerta, só esperando a hora em que um roer a corda...aí, a coisa fica feia...apesar que tem uns otimistas por aí:
Atualmente, a DMZ é aberta para excursões supervisionadas. Há alguns dias estivemos por lá, e visitamos alguns locais representativos.
A primeira parada foi em Imjinkak, um local construído em 1972 com a esperança de um dia o país ser reunificado:
Nesse local encontra-se a "Bridge of Freedom" ("Ponte da Liberdade"), uma ponte por onde atravessaram para o sul 13.000 prisioneiros de guerra quando esta "terminou":
Em certa parte da ponte encontra-se uma cerca repleta de mensagens deixadas por sul-coreanos, que provavelmente têm muitos parentes no norte, já que, na divisão do país, centenas de famílias foram separadas:
Apesar da triste situação, há que se pensar muito antes de qualquer tentativa séria de reunificação: o sul está se desenvolvendo rapidamente, ao passo que o norte parou no tempo e é um dos países mais miseráveis do mundo, além do fato de a população ter sofrido uma lavagem cerebral sem precedentes. A unificação poderia custar muito, sob todos os aspectos.
Saindo de Imjinkak, fomos para um dos lugares mais bizarros que eu já conheci: Estação Dorasan:
Porquê "bizarro"? A Estação Dorasan é chamada "A última estação do Sul, e a primeira estação do Norte". Trata-se de uma estação de trem que, um dia, pretende levar passageiros até Pyongyang, a capital da Coréia do Norte:
A questão é que, obviamente, nenhum trem cruza a fronteira com passageiros. Então, a Estação Dorasan é, na verdade, uma espécie de estação-fantasma, um sonho que ninguém sabe quando se tornará realidade. É um tanto deprimente:
De lá fomos para o Observatório Dora, onde podemos visualizar, através de binóculos, algumas partes da Coréia do Norte, principalmente a vila de propaganda norte-coreana, que abriga o maior mastro de bandeira do mundo, com 160 metros de altura, ostentando, obviamente, a bandeira da Coréia do Norte. A bandeira sozinha pesa 136kg...
Infelizmente, não pudemos tirar uma foto a partir do parapeito. A foto acima foi tirada atrás de uma linha de demarcação no chão: fotos são proibidas além dessa linha.
Próximo ao observatório encontra-se o 3o. Túnel de Infiltração, um dos 4 túneis descobertos na DMZ. Descoberto em 1978, esse túnel localiza-se a apenas 58km de Seul, e foi escavado pelo Norte com o objetivo de invadir o Sul e tomar a capital. Segundo as explicações, cerca de 10.000 soldados podem atravessar esse túnel em 1 hora apenas, ou seja, o estrago seria grande.
Com 1,7km de comprimento e a cerca de 73m abaixo da superfície, pode-se visitar um pequeno trecho, onde além da claustrofobia, pode-se notar o iminente perigo caso outros túneis ainda existam na DMZ. Interessante é que a Coréia do Norte sempre negou ter construído os túneis, jogando a culpa sempre nos "irmãos" do Sul, mas estudos mostram claramente que a escavação veio do norte para o sul, sendo uma das evidências a forma como a dinamite era colocada nas paredes e como as explosões deixaram marcas:
Depois do túnel, voltamos ao nosso ônibus e fomos pra casa. Infelizmente, não visitamos ainda o Panmunjeon, onde os soldados encaram uns aos outros (como ilustrado no vídeo acima). Isso tem que ser numa excursão à parte, com regras de vestimenta e tudo mais.
E fica a questão da reunificação: muitos coreanos têm esse sonho; outros, mais lúcidos, sabem que isso pode ser um enorme problema. Principalmente econômico, uma vez que o Sul terá que pagar a conta. Lembremos o exemplo da Alemanha: a Ocidental pagou a conta da Oriental, e olhe que essa última ainda era relativamente desenvolvida. No caso coreano, o Norte está anos-luz atrasado, não possui nada, a não ser mão-de-obra. Valerá a pena? O presidente anterior tinha um "Ministério da Unificação". O novo presidente, empossado alguns dias atrás, pretende acabar com esse ministério. Além disso, nenhuma reunificação será possível enquanto os EUA estiverem estacionados aqui. Ou seja, muita coisa pra rolar ainda...
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