Há um tempo atrás falamos sobre o K-Pop, que é a música pop coreana, exportada para toda a Ásia, e que faz um sucesso tremendo. Na ocasião, falamos sobre Hyori Lee, uma das divas pop coreanas que, aliás, está lançando um novo disco esse ano por essas bandas.
Entre uma penca de cantores e cantoras, é difícil saber o que os coreanos vão ouvir e comprar. Mas, sendo um país pequeno, é muito fácil controlar a mídia e empurrar o que os poderosos produtores querem para o público que consome o K-pop. Ora, se no Brasil que é um país enorme é normal jogarem um monte de tranqueiras no mercado fonográfico e venderem absurdamente, imaginem num país com cerca de "apenas" 50 milhões de habitantes.
E uma das coisas que vende muito bem por aqui são os grupinhos de meninos ou meninas. E um que estourou no 2o. semestre do ano passado foi o grupo das "Wonder Girls":
A velha fórmula: coloque 5 meninas, uma coreografia, uma musiquinha grudenta, passe em todos os canais de televisão e emissoras de rádio e pronto. Daí pra frente são revistas, camisetas, CDs, roupas, sapatos e tudo mais relacionado ao grupo e a cada uma das integrantes.
A música que as lançou para o sucesso e que foi exaustivamente tocada na Coréia em 2007 (e cantada por TODOS os coreanos) foi a sem-graça "Tell me". Ok, alguns leitores do blog que são fãs de K-pop irão me crucificar por esse comentário, mas eu achei BEM ruizinha. Não sou fã de música pop, mas reconheço quando a Madonna quebra tudo com uma música, ou quando a Aguilera lança um hit, ou mesmo quando algum artista do K-pop faz um negócio legal. Mas essa musiquinha não tem NADA. Vejam por si próprios:
Detalhe: das 5 meninas, 2 são "de menor" ("de menor" é engraçado...), e têm hoje 16 anos. Puritanismo à parte, explorar o lado "sexy" de garotas em grupos musicais é algo comum no mundo pop mas, geralmente, elas são maiores de 18 anos. Então, fica a pergunta: não é meio complicado usar a imagem dessas meninas dessa forma? Não estou querendo dar uma de ingênuo: sabemos como é a realidade. Mas explorar isso comercialmente me parece um pouco equivocado.
Exemplo é o novo sucesso das Wonder Girls, "So Hot". Lançado no final de Maio deste ano, em poucos dias atingiu o 1o. lugar nas paradas de sucesso. Reparem na mudança radical na imagem e na coreografia:
A maioria dos blogueiros estrangeiros aqui na Coréia comentaram o assunto, o que foi imediatamente rebatido pelos coreanos com argumentos do tipo "a maldade está nos olhos de quem vê". Bueno...
Em breve, mais K-Pop. As Wonder Girls foram uma introdução ao mundo dos grupinhos, já que é um grupo pequeno: só tem cinco integrantes. Que tal nove ou onze? Aguardem...
Muitos devem ter reparado na nova barra lateral do blog: andei fuçando nos códigos HTML e fui adicionando algumas coisas novas. Uma fotinho nossa; o clima atualizado em Seul; um mural de recados (influenciado pelo Blog do Ed) pra VOCÊS deixarem mensagens; nossos vídeos relacionados à Coréia; alguns vídeos de nossas viagens (ainda falta Beijing, Xian, Hong Kong, Macau, Camboja, Tóquio e Bangkok); os links de blogs de amigos. Com o tempo, mais novidades.
Pra encerrar, uma foto engraçada. O coreaninho abaixo não é fraco, não:
Cada país e cada povo têm suas tradições: história, hábitos, roupas, língua, etc...e comida! Podemos facilmente associar um tipo de comida a um país, algo que chamaríamos de "prato típico" (ainda que o país não se limite a esse prato, sempre há um específico que se destaca entre tantos outros): Espanha = Paella, Portugal = Bacalhau, Brasil = Feijoada, Japão = Sushi, Coréia = Kimchi (já falamos brevemente sobre o Kimchi AQUI), EUA = ... (sei lá, hamburguer?), etc.
Além dos pratos típicos, há a comida do dia-a-dia, que é aquela da qual sentimos falta quando estamos longe: no caso dos brasileiros, o mais comum é o arroz-e-feijão. No caso dos coreanos, é o kimchi mesmo. O kimchi e o arroz não podem faltar em nenhuma refeição. É como o pão para os espanhóis. Seja no almoço, no jantar, ou no café-da-manhã, arroz e kimchi devem estar sempre à mesa.
Isso nos leva a alguns momentos "interessantes"...vamos comparar com o Brasil: comemos arroz-e-feijão a semana inteira, e gostamos. Mas, eventualmente, resolvemos comer um spaghetti, ou um sanduíche, ou uma pizza. Bom, quando vamos comer alguma coisa como essas, automaticamente nos preparamos para esquecer o arroz-e-feijão e nos divertimos com a lasagna ou com o kebab no restaurante árabe. Alguém aí já pediu arroz-e-feijão na cantina italiana ou no restaurante japonês? Espero que não...
E por quê estou falando disso? Bom, uma vez por mês visito Shanghai, na China, a trabalho e, normalmente, almoçamos no escritório. E sempre pedimos comida fora: saladas, sanduíches, etc. . O ponto é o seguinte: quando você pede uma salada grega em Shanghai, você recebe algo MUITO próximo de uma salada grega, ou seja, queijo fetta, azeitonas pretas, verduras, cebola, tomate, etc. como uma salada grega tem que ser. Os sanduíches são bem servidos, e as massas também. Quando você visita um restaurante internacional em Shanghai, pode ter certeza que a comida será muito similar a que você teria no país original. O motivo: Shanghai é uma cidade extremamente ocidentalizada, com milhares de estrangeiros, e os donos de restaurantes têm que se adaptar. Além disso, os chineses gostam de provar outras comidas, e apreciam a variedade fora de seu cardápio tradicional.
Aqui na Coréia a coisa é ligeiramente diferente. Apesar de Seul também estar se tornando bem internacional, ainda é difícil encontrar um restaurante típico estrangeiro que não tenha sido obrigado a alterar o sabor de seus pratos em função do gosto local OU incorporar ingredientes coreanos às receitas. Há alguns poucos restaurantes que mantém-se fiéis às suas receitas (como os restaurantes indianos ou do Oriente Médio), mas é quase impossível achar um restaurante italiano que tenha uma massa com molho típico sem que o mesmo tenha sofrido a influência da pimenta vermelha ou que contenha ingredientes estranhos àquele prato. Via de regra, o molho é adocicado, ou o manjericão passou longe da cozinha. E achar um parmesão, por exemplo, também é complicado, visto que o queijo faz mal para muitos coreanos.
O que acontece então é o que alguns chamam de "bastardization process", ou seja, uma adaptação do prato internacional ao paladar local. Spaghetti com algas marinhas? Salada grega com molho de mostarda e kiwi? Pizza de lula com borda recheada de batata doce??? Bem-vindo à Coréia!
Sem dizer que, não importa em que tipo de restaurante você está, a pergunta ao garçom é: "Pode trazer kimchi, por favor?". Seja italiano, espanhol, japonês...kimchi é fundamental!
Os coreanos não gostam de coisas muito diferentes do tradicional. Após 2 anos aqui, foram várias e várias vezes que presenciei a cena "Cadê meu kimchi", e ouvi estórias de pessoas viajando e não conseguindo comer a comida dos países. Por isso, é comum ver no aeroporto as pessoas despachando malas e várias caixas de "noodles" ou, para nós brasileiros, "miojo" !
Sim, em uma viagem para a Itália, por exemplo, com medo que não encontrem seu kimchi ou seu miojo, os coreanos despacham junto com suas coisas também a comida que comerão quando estiverem por lá:
Quando não podem despachar, asseguram-se que haverá restaurantes e hotéis coreanos no destino, garantindo assim a cota diária de kimchi.
Trata-se de um fenômeno interessante e, ao mesmo tempo, relativamente triste: a falta de flexibilidade e a insegurança em tentar algo diferente por alguns dias apenas. Ora, uma das experiências mais enriquecedoras numa viagem é experimentar a culinária local. Claro, ninguém precisa comer escorpião na China, mas não pode deixar de provar o "Pato de Pequim", ou o "Ovo Centenário". A comida de um país nos diz muito a respeito de um povo, e é uma das melhores formas de se integrar na cultura local. Por exemplo, no início de nossa adaptação, foi complicado encarar a pimenta mas, hoje, passa tranquilo que nem molho de tomate (é, mais ou menos...). O kimchi, inclusive, é algo que gostamos de comer quando estamos comendo comida coreana. Você aprende a gostar do sabor, além de ser extremamente saudável.
Mas há outros dois lados dessa estória: em primeiro lugar, notamos que os coreanos mais jovens estão mais abertos à experimentação, e nem sempre carregam consigo os noodles nas viagens. Em seguida, vem a questão dos brasileiros. Fato concreto: o brasileiro também não é flexível. Vemos brasileiros em outros países e mesmo na Coréia que não são abertos às tentativas, e evitam as comidas que não conhecem, sem ao menos provarem. Ou seja, apesar desse nosso papo de "miscigenação", "multiculturalidade", e outras coisas mais, o brasileiro, em geral, não quer saber de inventar, não. Aos brasileiros que moram na Coréia: arrisquem um bibimbap, um pudetchigue, um nakji-tchucumi, um bocumbap...vocês não vão se arrepender!
Em resumo, era que nem meu pai falava pra mexer com minha mãe quando ela servia sopa no jantar: "Ok, a sopa está aqui mas...cadê a janta? Cadê o arroz-e-feijão?", o que era invariavelmente seguido de um "Se quiser janta, TÁ AÍ!"
Pode olhar aí do lado direito da tela o selinho do UOL: após 2 anos de blog, fomos escolhidos como um dos blogs legais do UOL. Não sei exatamente como funciona a nomeação, se tem alguém que fica garimpando blogs ou se é por indicação, mas foi legal ser nomeado. Obrigado pelas visitas de todos e pela indicação!
Sempre fazemos questão de deixar os leitores do blog atualizados acerca das últimas notícias na península coreana. Pois bem: todo mundo tem acompanhado a saga da carne de vaca estadunidense. Não vou repetir aqui tudo que escrevemos sobre os protestos, as manifestações, etc. . É só ler os posts anteriores que vocês poderão ter uma idéia da coisa. Mas tem novidade...
A novidade agora é que há uma nova força aparecendo por aqui, tentando acabar de uma vez por todas com os protestos. São padres, monges budistas e outros grupos que, vislumbrando um provável impacto econômico negativo (que pode levar a economia do país realmente pro buraco) - além do fato de a polícia estar começando a intervir de uma forma ligeiramente mais severa (acho que ainda falta um pouco mais de pulso, mas...), estão tentando fazer com que os protestos cessem.
E o mais engraçado (pra não dizer trágico) é que agora os donos de lojas e restaurantes localizados nas áreas onde os protestos foram realizados estão organizando as suas demonstrações! O motivo óbvio: a perda nas vendas durante as manifestações, já que o povo deixou de ir a esses lugares em função das passeatas e tudo mais. Na última 5a. feira, comerciantes fizeram um protesto em frente à sede do movimento "Solidariedade Popular para a Democracia Participativa" (os nomes são sensacionais, e o site deles está AQUI), condenando o grupo pela organização dos protestos contra a carne estadunidense, alegando queda nas vendas e a ruína de seus negócios. Além disso, cerca de 400 comerciantes estão planejando processar o maior grupo organizador dos protestos, a "Conferência Popular contra o Mal da Vaca Louca" (não estou inventando o nome, é a tradução de "People's Conference Against Mad Cow Disease"!). E agora?
Mudando um pouco de assunto...abrir um negócio novo, em qualquer lugar do mundo, sempre é complicado. Investe-se muito dinheiro, tem que procurar funcionários qualificados, é uma dor-de-cabeça. E uma das coisas mais importantes é a propaganda: afinal de contas, é assim que as pessoas conhecerão o seu negócio e se tornarão clientes.
Em cada lugar há uma estratégia diferente para se atrair clientes: em alguns lugares, distribuem-se panfletos; em outros, propaganda maciça em rádio, televisão, cartazes, outdoors; e, em alguns outros como na Coréia, atrai-se o público através das "Dancing Girls". Em suma, as garotas ficam dançando na porta da loja (na rua). Lembra um pouco as concessionárias no Brasil? Vejam abaixo e tirem suas conclusões:
Não tem a ver com Coréia mas, pra quem acompanha o blog desde o início, deve se lembrar ligeiramente deste post aqui. Um dos dilemas da nossa infância (por "nós" refiro-me aos nascidos no final da década de 60, toda a década de 70 e começo dos anos 80) sempre foi "Porquê todos os monstros do universo só aparecem em Tóquio???". Bem, achei a resposta essa semana:
Após 1 semana de férias na pequena ilha tailandesa de Koh Samui, estamos de volta à Coréia. Não tem muito que falar dessas férias: não foi nenhum passeio cultural, não fizemos passeios exóticos, não comemos coisas esquisitas...foi 1 semana na praia num esquema BEM sossego: acorda, toma café-da-manhã, vai pra praia, entra no mar, almoça, fica na sombra, volta pro sol, entra no mar de novo, toma banho, sai pra jantar, volta, dorme. No dia seguinte, o mesmo esquema. Era o que precisávamos. E visto que o pequeno ser está crescendo na barriga da Selma, todo cuidado é pouco, então foi melhor fazer algo mais tranquilo mesmo.
O local é fantástico: há uma prainha particular no hotel, a água é limpíssima, os chalés ficam próximos à praia (o nosso ficava a exatos 20 passos da areia), e eles fornecem desde o básico shampoo-condicionador-sabonete até sacola de praia e chinelos havaianas! Além de 2 litros de água mineral por dia, na faixa...
Detalhe: o preço foi menor do que qualquer pousada no litoral, seja de SP, Floripa, qualquer lugar aí no Brasil. Sei que parece difícil de acreditar, mas a Tailândia é um país muito barato (lagostas a $10?), e com o Real valorizado, tudo no Brasil fica mais caro. Como das outras vezes(em Bangkok, no Camboja e no Vietnã), fuçamos na internet, fizemos a escolha, reservamos e deu tudo certo.
Abaixo, algumas fotos:
- o pedaço da nossa praia:
- o hotel, com o restaurante à esquerda e os chalés à direita
- nosso chalé:
- a vista dele para a praia:
- na noite de 5a. feira, um coquetel oferecido pelo hotel para os hóspedes, com direito a um showzinho pirotécnico:
- a tiazinha que vende frutas e milho na praia, e que sempre dava um monte de comida de brinde pra Selma ("é pro bebê, é pro bebê"):
E, no pequeno centro comercial (de 1 avenida apenas), vários restaurantes, lojas, aluguel de motos, etc. . Abaixo, a "bomba de gasolina":
E aqui, o "cata-lôco" regional: o cara coloca uns bancos na caçamba da pick-up e transforma em ônibus:
O que mais enche a paciência são os alfaiates. Em Samui (e em Bangkok também), eles ficam na rua te interpelando a todo momento: "Hello!", "Como vai", "De onde você é", "Tenho uma promoção pra você!", etc. . Não se caminha sossegado. Mas, já sendo escolado, e após uma temporada no Egito, você aprende a lidar com eles. Não precisa ser mal-educado: responda às perguntas, mas continue andando, nunca pare. E, principalmente, NUNCA diga que você é do Brasil! Senão começa a papagaiada "Football! Ronaldo! Kaká! Samba!".
Na verdade, eles geralmente abordam as pessoas em inglês. Mas conosco, regra geral nos abordam em italiano, e jamais esperam que sejamos brasileiros (fomos numa pizzaria de um italiano que vive em Samui e, na entrada, o dono Fiorentino - de Florença - desembestou a nos saudar em italiano e, depois de ele falar por uns 2 minutos, explicamos que éramos Braziliani...). Então, quando os alfaiates soltam o "Buona Sera" para nós, fazemos cara de desentendidos e dizemos que não entendemos. Quando eles perguntam de onde somos, aí escolhemos um país bem atípico. No Egito, a escolha frequente era "Guatemala". Em Samui, escolhemos "Suriname". Até eles se desfazerem da cara de dúvida e ficarem pensando onde raios fica o Suriname (acho que alguns holandeses que passavam ao redor entendiam e até achavam engraçado), já estávamos longe. E sempre dando risada.
O lance dos alfaiates na Tailândia é a cópia de modelos existentes de marcas famosas a preços ridiculamente baixos. Mas 99% dos ternos ficam uma porcaria! São pouquíssimas lojas que têm uma boa reputação e fazem um trabalho decente, um corte com bom caimento e tecido de qualidade. Para ter uma idéia dos preços, vejam a placa abaixo:
Então: 1 terno, 2 camisas, 1 calça avulsa e 2 gravatas, tudo por $89 (cerca de R$150) ??? Coisa fina...
E o engraçado são os nomes das lojas. Devem pensar que são "filiais" de um certo signore italiano:
Mas tudo isso deixa a coisa mais pitoresca e divertida. Além disso, o povo é simpático, alegre, e atencioso, como em Bangkok. A comida é deliciosa. A semana inteira fez sol, só choveu no sábado de manhã, quando nos preparávamos para deixar o hotel. E os preços são baixíssimos. Valeu a pena.
E a barriga da Selma vai crescendo aos poucos, nada absurdo ainda, a moça está controlando a alimentação e mantendo-se saudável. Os primeiros ultrassons foram todos bem, tudo nos conformes. A fase vomitória deu um tempo na praia, mas voltou hoje, no nosso retorno à Coréia. Acho que um projeto de pessoinha reclamou de sair daquele lugar legal e voltar à realidade...
Só pra atualizá-los: os protestos continuam, viu? Apesar que a carne estadunidense começou a ser vendida no dia 1o. de julho e, pasmem, um distribuidor vendeu - sozinho - 200kg em menos de 6 horas, só no primeiro dia! E a coisa continua indo bem (nada como o bolso para fazer com que as pessoas pensem um pouco mais claramente). A propósito, uma pesquisa da CBS revelou que o número de coreanos que disseram que jamais comeriam carne de vaca estadunidense tem diminuído drasticamente: em 7 de Maio, 70.3% de coreanos disseram que não comeriam a famigerada carne; em 1o. de Julho, o número caiu para 52.8%. Vamos ver se, dessa vez, a carne vem pra ficar...
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