Post Especial

HABEMUS FILIA!

Pra quem ainda não leu AQUI, aí vai: é com grande alegria que anunciamos o nascimento de nossa primeira filha, Beatriz, hoje, 29 de Janeiro de 2009, às 18:43h, horário da Coréia, no hospital Soon Chun Hyang, em Seul, Coréia do Sul.

A "pequena" nasceu com 4.28kg e 52.9cm!

Mãe e filha passam muitíssimo bem.

Muito obrigado a todos pela torcida e pelas mensagens. Aqui, deste lado do mundo, foi muito importante para nós termos vocês por perto, ainda que "virtualmente".

Mas notícias em breve.

Annyonheghaseyo!

Renato & Selma



Escrito por maschetto às 23h53
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Post 116

FELIZ ANO NOVO LUNAR!

Nesta semana vamos comemorar mais um Ano Novo Lunar (já falamos sobre o Ano Novo Lunar, ou Ano Novo "Chinês", AQUI). Sairemos do Ano do Rato e entraremos agora no Ano do Boi. Segundo a tradição, o boi é um símbolo de prosperidade, perseverança, paciência e trabalho duro. Então, nessa semana, teremos comemorações pela China, Coréia, Mongólia, e outros países fortemente influenciados pela cultura chinesa.

É também a época do ano (similar à época do Chuseok) onde há a troca de presentes relativamente "estranhos" e, principalmente, carésimos! Exemplos:

- latas de atum e apresuntado;

- kits com pasta de dente e sabonete;

- uma caixa com 12 laranjas da ilha de Jeju, ao preço de KRW 100,000 (algo em torno de US$ 80);

Em relação aos preços, a questão é mostrar que você está gastando uma grana considerável para presentear seu amigo ou parente. No que diz respeito aos presentes "estranhos", trata-se de tradição: no passado recente, sem comida e sem poder ao menos cuidar de sua higiene, ganhar uma lata de atum ou mesmo um tubo de pasta de dente era considerado muito, uma ocasião especial. A história é, então, relembrada de forma simbólica, através dos kits vendidos nos supermercados. Muitos, porém, abandonam a tradição, dando presentes mais "normais" (roupas, CDs, etc.) ou mesmo envelopes com dinheiro (como a minha vó fazia e como, provavelmente, a sua ainda faz). Aliás, para as crianças, essa é uma data muito especial, pois elas se vestem com roupas tradicionais e ganham dinheiro de seus parentes (não sem antes prestarem a reverência devida aos mais velhos):

 

E será um 설날 (ou Seollal, como se fala o Ano Novo Lunar em coreano) frio. Hoje, nevou durante boa parte do dia e, aparentemente, não haverá trégua amanhã. Esse era o visual hoje de manhã da janela de casa:

A filhota continua crescendo...na barriga! No post anterior, ela estava com 3.9kg. Na última 3a. feira, fizemos outro ultrassom e...4.2kg ! Também fizemos o monitoramento dos batimentos cardíacos e das contrações e está tudo bem. Mas já entraremos na 42a. semana, ou seja, não dá mais pra postergar muito. Nosso médico, Dr. Lee, sugeriu então que, se ela não nascer até 3a. feira, faremos a indução do parto na 4a. feira. E temos certeza que tudo dará certo. Acompanhem a saga no Gonadotrofina no Paralelo 38 - O diário de uma gravidez na Coréia, e continuem na torcida. Nem temos como agradecer todos os emails, mensagens no MSN, telefonemas, contatos telepáticos, elos mentais mutantes e todas as demais formas de comunicação avançada utilizadas (que não citaremos aqui por óbvios motivos de segurança, conforme os Protocolos Xavier).

Aos fiéis leitores do nosso blog, desejamos um Feliz Ano Novo Lunar ou, como se diz em coreano, 새해 복 많이 받으세요 (Sehe-Pôk-Máni-Patûseyo)  

 

Annyonheghaseyo!

Renato & Selma



Escrito por maschetto às 19h17
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Post 115

COMIDA: SHABU-SHABU

Enquanto nossa filha não resolve vir ao mundo - apesar do alarme falso na última 4a. feira (leiam AQUI) - vamos falando de um dos nossos assuntos favoritos: COMIDA!

Uma das nossas comidas favoritas aqui é o shabu-shabu. Trata-se de um prato japonês, mas que foi adaptado à culinária coreana, sendo mais apimentado e tendo algumas variações.

Perto do escritório há um restaurante especializado em shabu-shabu e, geralmente, almoçamos lá.

Comecemos com a preparação da mesa:

Alguns detalhes:

- nos restaurantes coreanos, sempre há um fogareiro no meio da mesa. A comida vem praticamente crua da cozinha, e o final da preparação ocorre na mesa, com todo mundo em volta;

- com exceção das sopas e do arroz que vêm em pratos individuais, as outras comidas são todas compartilhadas da mesma panela (assim como na minha e na sua casa);

- o kimchi está sempre presente;

- todo mundo senta no chão;

O shabu-shabu começa com o preparo do caldo que é, basicamente, água, temperos, cogumelos, batata, minari (uma espécie de salsinha) e muita pimenta vermelha:

Obs.: é, essa cor vermelha do caldo aí em cima é pimenta, não é tomate, não...

O shabu-shabu nesse local passa por 3 fases: carne, macarrão e arroz. Após o caldo estar no ponto, começamos com a carne:

A carne vem congelada e crua para a mesa, em fatias finíssimas (estilo carpaccio). O objetivo é mergulhar a carne no caldo por alguns segundos para cozinhá-la:

Daí vem o nome: "shabu-shabu" seria o som feito pela carne quando mergulhada no caldo diversas vezes.

Em seguida, retiramos a carne (com um pouco de minari ou cogumelos), mergulhamos cuidadosamente no shoyu (molho de soja) com wassabi (raiz forte) e...comemos!

É MUITO BOM! Uma das melhores coisas por aqui. E, é claro, você sempre intercala com um pouco de kimchi. Abaixo, kimchi de nabo:

Após várias fatias de carne, vem a hora do macarrão. Coloca-se o macarrão na panela (com o mesmo caldo que, após a mistura de temperos e carne, fica "curtido"), cozinha-se por alguns minutos, e lá vamos nós no macarrão:

Nesse ponto, você já está cheio. Já comeu um monte. Mas...não acabou ainda, a melhor parte fica pro final: o arroz! Arroz que nós chamamos aqui de "farofa", pois lembra muito a nossa tradicional farofa brasileira.

Esse é o arroz no estágio inicial: arroz branco, cebolinha, temperos, e uma gema de ovo (pra "dar liga", sabe como é):

Ele é preparado pela tiazoca do restaurante. Para entender melhor, vejam o vídeo abaixo, filmado secretamente com uma câmera escondida (mentira, todo mundo viu a câmera e ficou olhando e pensando "olha os gringos, aí"...bom, não que precise de uma câmera pra verem que somos estrangeiros...): 

E esse arroz coroa toda a experiência, pois é SENSACIONAL!

Ao final, você sente que está estourando mas, diferente de uma macarronada, não se sente pesado. Afinal de contas, fatias bem finas de carne, um pouquinho de macarrão e algumas colheres de arroz não te deixam tão estufado quanto parece. O segredo está na cadência: você vai comendo aos poucos, pois tem que cozinhar a carne uma por uma. Depois, leva um tempinho pra cozinhar o macarrão e o arroz. Comendo mais devagar, todo mundo sabe que a sensação de fome vai desaparecendo e, no final, você come menos.

Então, se alguém aí vier pra Coréia (ou for pro Japão), não deixe de provar o Shabu-shabu!

Semana que vem é Ano-Novo de novo. O "Ano-Novo lunar", conhecido também como o tradicional "Ano Novo Chinês". Sairemos do ano do rato, e entraremos no ano do boi.

E continuem na torcida para que nossa filhota nasça logo (ainda no ano do rato) ! Na última 3a. feira, o ultrassom indicou que ela está com 3.9kg! A barriga tá pesando...

Annyonheghaseyo!

Renato & Selma



Escrito por maschetto às 20h45
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Post 114

AQUI, TEM SEMPRE NOVIDADE

Muita coisa divertida e interessante acontecendo por aqui nas últimas semanas:

- Governo: em Dezembro, com o objetivo de ratificar definitivamente o acordo de livre comércio com os EUA (lembram toda aquela patetada da "vaca louca"?), o Grande Partido Nacional se viu diante de fortíssima oposição pelo lado dos democratas, e a coisa ficou feia. Nada de conversa no Parlamento: o negócio é partir pra porrada! Como disse um comentarista em um dos blogs aqui, "Discussão é pra maricas...democracia funciona é assim!". Assim como? Assim, como nas fotos abaixo:

Aliás, estão vendo o tiozinho aí na foto de cima com a barba de Fu Manchu? Ele é o Chairman do Partido Democrático Trabalhista, Kang Ki-gap. Então, ele foi o principal responsável por toda aquele absurdo da vaca louca. Foi ele o principal agitador do povo, incitando as massas para irem às ruas. E olha ele aqui nessa foto de baixo, com um hanbok todo estiloso (esse pijamão cor-de-rosa), com cara de louco psicopata. É de chorar de rir:

Democracia em ação! Pois é...vendo esses "adultos" se estapeando nas altas paragens do governo, começamos a entender várias coisas por aqui. Uma delas é a seguinte: crianças aqui, quando brincam, em mais de 90% dos casos são o que nós chamamos de "brincadeiras de mão" (lembram da mãe e da vó falando "brincadeira de mão não dá certo..."). As crianças se batem, se empurram, dão tapas na cabeça, chutes, socos no braço, no estômago. É só andar pelas ruas que, ao ver um grupo de 3 ou mais crianças, pode esperar: vão começar a "brincadeira".

Ora, meninos gostam desse tipo de coisa, claro. Mas nunca vi dessa forma, totalmente descontrolada. E sempre foi um ponto de interrogação pra gente, por quê as crianças aqui se esmurram tanto? Bom, vendo o que acontece nas altas esferas da sociedade, é fácil entender de onde vem o exemplo...

A propósito, não condeno isso, não. Cada povo na sua. Se a cultura é essa, que as crianças se acabem na porrada, e os governantes também, sem stress. Para as crianças, é um hematoma hoje, e amanhã está tudo bem; para os líderes do país, é essa a imagem que vai para o exterior. É isso que eles querem vender a respeito da Coréia do Sul? Melhor repensarem a atitude...

(HT para Brian in Jeollanam-do)

- K-pop: na música pop (o K-pop, a fábrica de grupinhos), uma grande incoerência: os executivos da KBS, a estação de TV do governo, querem que uma música tenha sua letra alterada. Um menino aqui (que é parte de um dos grupinhos fabricados) canta, em diversos momentos, as palavras "crack, crack, crack". Ok, sabemos que "crack" é uma droga mas, no contexto da música, não tem nada a ver, é mais um efeito sonoro do que uma palavra propriamente dita:

"hey baby (crack, crack, crack)

tonight you know (crack, crack, crack)

I'm a strong baby (crack, crack, crack)"

(é, a música também é uma droga)

E os tais senhores da KBS querem que a música mude para "clap, clap, clap". O problema é que os coreanos têm dificuldade com a letra "L", e ela normalmente sai como um "R", e a letra "P" às vezes soa como "B". Então, como bem notado pelo site "Pop Seoul", isso pode gerar mais problemas:

. se ele cantar "crab, crab, crab", pode significar "caranguejo" (ok) ou "chato" (não o adjetivo, e sim o temido piolho pubiano);

. se ele cantar "crap, crap, crap", pior ainda: aí será o excremento na forma como o conhecemos no banheiro (é, "fezes" mesmo);

Mas a incoerência não está aí. A preocupação é com a palavra crack, mas e o resto da letra e do video clip? O vídeo é extremamente insinuante e a letra também. E o rapaz tem 17 anos, é "de menor". A conclusão? Os tiozocos querem dar uma de preocupados com a juventude abolindo vocabulário que sugira o uso de drogas, mas querem continuar vendo as menininhas dançando e rebolando. Bom, não é de se surpreender, é ?

Pra quem quiser conferir o vídeo, clique aqui.

- Cotidiano: a foto abaixo tem causado a ira de muitos por aqui:

Por quê? Porquê a menina tem 14 anos apenas, e está fazendo uma foto topless numa cena sugestiva. Claro que é um absurdo mas, novamente, não dá pra entender. Lembram das Wondergirls? Pois é, se exploram meninas com menos de 18 anos pra ficarem rebolando e dançando sensualmente em rede nacional (com direito a close-ups nos traseiros das mesmas), qual o problema com a foto acima? Claro que há problema, e dos grandes! Nas duas situações! Mas, aparentemente, as autoridades não se preocuparam muito com o fato, não...aliás, ainda não se sabe exatamente "quem" tem sido contra a questão da foto. Os mais maldosos dizem que devem ser as ajummas (as mulheres casadas) pois os maridos ficam de olho o tempo inteiro nessas menininhas novinhas...

Para ler mais, vejam o post do Korea Beat e do The Grand Narrative.

Diferenças culturais: são elas que tornam o mundo interessante.

Bom, chega de lenga-lenga e vamos ao que interessa: o resultado da nossa Promoção de Natal!

Recebemos vários emails, e foi difícil escolher uma resposta. Mas, após muita discussão (brigas, tapas, pontapés), elegemos a melhor resposta para a pergunta "Por quê os coreanos colocam batata-doce na pizza de mussarela?"! A melhor resposta foi:

- "Porquê eles são coreanos..."

E não é verdade? Ora, não tem explicação melhor: comida é um dos aspectos mais importantes e representativos de uma cultura. Visto que, até hoje, nunca vimos outro povo comendo pizza de batata-doce, a melhor explicação para a pergunta é simples: eles colocam batata-doce na pizza porque são coreanos! Eles gostam da combinação, e pronto. Simples, porém, muito verdadeiro.

Eder, parabéns! Você vai receber o livro "Korea Unmasked" aí no Brasil!

Mas...outras duas respostas também foram muito boas e engraçadas:

Por quê os coreanos colocam batata-doce na pizza de mussarela?

1) Resposta do Dr Yu: "Porquê acabou o kimchi!"

Apesar de ser IMPOSSÍVEL isso acontecer Língua de fora, a resposta foi engraçada. Do tipo, "bom, já que não tem kimchi, vai batata-doce mesmo..."

2) Resposta da Tatiana Rezende: "Porque eles têm prisão de ventre!" Ira

Tati, uma coisa é verdade: eles têm um medo enorme de terem prisão de ventre. Um monte de comidas aqui sempre são alardeadas como "Well Being", e é comum ouvir a expressão "Coma isso pois é bom pra você", o que, em outras palavras, significa, "faz você ir ao banheiro". Fora a obsessão com o tema "cocô". Imagens, sons, desenhos, esculturas estão por toda a parte. É uma mania nacional!

Em função disso, o Dr Yu e a Tati vão ganhar, também, 1 livro cada um. Só que é outro livro, trata-se do "Ugly Koreans, ugly Americans", um livro muito legal que mostra as coisas que os ocidentais acham desprezíveis nos coreanos e vice-versa, isto é, o que os coreanos abominam nos nossos modos e costumes. Outro livro que abre nossos olhos também, e é extremamente interessante:

Parabéns ao Eder, e também ao Dr Yu e à Tati. Entraremos em contato com vocês em breve! E obrigado a todos os que também enviaram seus emails!

E essa semana é a derradeira: a nenê está prevista para nascer nos próximos dias. Se vocês estão acompanhando o Gonadotrofina no Paralelo 38, já estão sabendo...

Torçam por nós!

Annyonheghaseyo!

Renato & Selma



Escrito por maschetto às 16h58
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Post 113

WAR MEMORIAL OF KOREA

Na semana passada visitamos o War Memorial of Korea (ou "Memorial da Guerra"). Trata-se de um grande museu relacionado às diversas guerras e conflitos pelos quais a Coréia passou (com ênfase na Coréia do Sul). Fica perto de casa e, há quase 3 anos aqui, foi a primeira vez que o visitamos.

O memorial foi inaugurado em 1994 e há duas áreas principais: o prédio de 6 andares, construído num espaço de 20.000 metros quadrados (ou seja, cerca de 120.000 metros quadrados de exposições) e abrigando cerca de 9.000 itens, e os jardins, com vários artefatos militares (jipes, aviões, tanques, etc.).

Sendo uma pequena península encravada na China e estando a uma distância muito pequena do Japão, qualquer um pode imaginar o que aconteceu com a Coréia. Inúmeras invasões, guerras, conflitos internos. O memorial dá uma boa idéia desse passado, com grande destaque para a recente Guerra da Coréia, no início dos anos 50, que veio a dividir o país, definitivamente.

Nos jardins, os equipamentos militares são todos provenientes da Guerra da Coréia, da 2a. Guerra Mundial e da Guerra do Vietnã. Em alguns podemos até entrar e perceber como era a rotina dos soldados:

Nas laterais do prédio, galerias com diversas placas de granito contêm os nomes daqueles que lutaram nas guerras e morreram em combate:

Ao fim da 2a. Guerra Mundial, os EUA e a União Soviética ocuparam a Coréia, ficando os soviéticos ao norte do paralelo 38 e os estadunidenses ao sul (já falamos sobre o Paralelo 38 e a Zona Desmilitarizada, clique AQUI). O objetivo principal era garantir o fim do domínio japonês, o que aconteceu em Setembro de 1945. Em Dezembro do mesmo ano, EUA e URSS concordaram com um "governo conjunto", e acertaram que a Coréia iria se "auto-governar" após um período de 5 anos. Mas os coreanos não gostaram da idéia...

Com isso, o Norte passou a ter clara influência comunista, e o Sul, ao contrário, indignado por mais um governo estrangeiro, começou com seus protestos violentos. Os protestos, as lutas, a violência e mortes levaram os EUA a abandonarem o pacto com a URSS e a realizarem eleições na Coréia, sendo que os soviéticos foram totalmente contra a idéia. Foi então eleito Rhee Seungman, o primeiro presidente da Coréia do Sul, educado nos EUA, cujo governo começou em 1948. Ao mesmo tempo, os soviéticos aprovaram o nascimento de um governo comunista no Norte, e o líder escolhido foi Kim Il-Sung (pai do atual ditador da Coréia do Norte, Kim Jong-Il), um antigo inimigo dos japoneses, e bem-relacionado com a União Soviética.

As tensões continuaram entre Norte e Sul. Kim Il-Sung, com seus acordos secretos com a URSS, fortaleceu seu exército. O exército americano saiu da península. Aos soldados sul-coreanos foram dadas férias. E, ao amanhecer de 25 de Junho de 1950, o exército do norte atravessou o paralelo 38, e encontrou basicamente nenhuma resistência. Seul foi tomada e os poucos militares sul-coreanos moveram-se para o sul do país, acuados.

Vale mencionar que o poderio militar da Coréia do Norte era muito superior ao do Sul: enquanto o Norte possuía tanques, aviões de todos os tipos e navios, o Sul não possuía tanques, e tinha apenas alguns aviões de combate. Além do exército muito mais numeroso do Norte, os soldados do Sul que não concordavam com o governo eleito com o suporte dos EUA mudaram de lado e passaram a lutar pelo Norte, enfraquecendo ainda mais o Sul.

Dois dias depois da invasão, o então presidente dos EUA (Truman) - após a ONU ter condenado o ataque - ordenou que as tropas dos EUA, estacionadas no Japão, dessem suporte às tropas sul-coreanas. Nos meses seguintes, os estadunidenses e as tropas da ONU auxiliaram os sul-coreanos a avançarem novamente para o norte do país, retomaram Seul, e se prepararam para invadir o Norte em Outubro de 1950.

Com o avanço das tropas, os chineses começaram a ficar preocupados com suas fronteiras e, em seguida, entraram na guerra, forçando o recuo novamente das tropas da ONU com a Coréia do Sul. E de Julho de 1951 a Julho de 1953, tratativas de paz foram discutidas - enquanto combates ainda aconteciam. Em 27 de Julho de 1953 o "cessar fogo" foi estabelecido, o armistício assinado, a "Zona Desmilitarizada (DMZ)" demarcada, e o país ficou dividido desde então. Ou seja: as duas Coréias ainda estão em guerra (o que explica os mais de 30.000 soldados estadunidenses estacionados aqui)...

A figura acima mostra quem dominava o território ao longo dos anos, até o acordo de armistício.

As baixas são difícies de serem precisadas, pois cada país tem a sua versão. Segundo a Wikipedia:

. Coréia do Sul e aliados (tropas da ONU): 474mil mortos, feridos, MIA (missing in action) e POW (prisoners of war)

. Coréia do Norte, China e URSS: 1,19 milhão de mortos, feridos, MIA ou POW

. Civis coreanos: 2 milhões de mortos e feridos

Pablo Picasso, Massacre in Korea (1951)

O Memorial tem uma ala dedicada, obviamente, à Guerra da Coréia, e conta com vídeos e diversos sistemas de informação. Por tratar-se de um acontecimento recente, ainda há muito enfoque na Guerra da Coréia e, aparentemente, muito tempo ainda passará antes de tudo se tornar "mais uma parte da história". Assim como temos conhecidos e parentes que passaram pela Primeira e Segunda Guerras Mundiais, aqui muita gente teve sua família envolvida - de uma forma ou de outra - nessa guerra.

E há essa necessidade de manter a chama acesa na memória de todos, uma forma de reforçar o nacionalismo e manter o povo consciente de seu passado. Positivo por um lado (instigando o espírito de luta, de progresso, de amor à pátria), negativo por outro (pois o estrangeiro sempre foi "inimigo", sempre quis governar o país, dividiu a Coréia, etc.). Esse é um dos motivos pelos quais os estrangeiros não são necessariamente bem-vindos na Coréia, principalmente estadunidenses (e japoneses, obviamente. O que é muito interessante, por sinal: a Coréia do Sul não é um destino turístico muito popular, por diversas razões - a principal pela miopia do Depto. de Turismo não saber promover o que o país tem de bom. Turistas aqui são basicamente asiáticos, e o Número 1 é, ironicamente, o turista japonês, que gasta rios de dinheiro fazendo compras na Coréia. Ora, com a moeda coreana (Won) desvalorizada em relação ao Dólar (cerca de 45% em 2008), e o Yen japonês constantemente em alta (ainda mais agora, valorizado), japonês comprando em Seul é como brasileiro nos anos 80 indo para o Paraguai. Pechincha! Mas, nessa hora, o japonês é tratado como rei...).

A grande maioria dos jovens coreanos não se preocupa muito com os gringos, e vêem uma oportunidade de desenvolvimento (falar inglês, aprender sobre o resto do mundo, arrumar um namorado ou marido, etc.), mas os mais velhos ainda têm esse ressentimento, e olham o estrangeiro sempre com desconfiança e, algumas vezes, medo. E, ocasionalmente, agem agressivamente, seja verbal ou fisicamente (como quando a Selma foi agredida, AQUI).

Enfim, o memorial é extremamente interessante, e qualquer pessoa morando aqui tem que conhecê-lo. Já que somos visitantes, acho que é nossa obrigação conhecer um pouco da história do país onde vivemos. Só assim podemos ter uma experiência completa, também tentando entender um pouco mais dessa cultura tão diferente da nossa.

E já temos o resultado da nossa Promoção de Natal! Mas como esse post foi muito longo, não vamos conseguir colocar o resultado hoje. Então, semana que vem publicaremos o(a) ganhador(a) do livro "Korea Unmasked". Aguardem!

Obs.: Bruna, recebemos seu cartão, muito obrigado! Riso

Annyonheghaseyo!

Renato & Selma



Escrito por maschetto às 17h04
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