Que tal um polvo...vivo?

Post 134

Obs: adicionei aí ao lado direito na caixinha preta e cinza o meu "twitter". Vou tentar sempre colocar notícias do que está rolando por aqui, ao menos diariamente.

Uma das perguntas que mais ouvíamos quando estávamos de mudança pra Coreia (e que continuamos a ouvir até hoje) é: "É verdade que na Coreia se come carne de cachorro?". A resposta é "sim, é verdade". Muita gente encara isso com repulsa e indignação, mas nem de longe é a coisa mais estranha que alguém pode comer. E, mais pra frente, em outro post, falaremos um pouco sobre isso (que, na minha humilde opinião, não tem nada de tão absurdo assim).

Comida "estranha" tem em todo lugar, supondo-se que "estranho" se refira a tudo que é diferente para nós. Nós comemos kiwis sem casca, enquanto australianos e neo-zelandeses comem com casca. E eles acham "estranho" a gente descascar o kiwi. No Leste Asiático, come-se arroz feito somente no vapor, e é o arroz "unidos venceremos", para poder comer com palitos. Nós, no Brasil, refogamos o arroz, cozinhamos e o comemos "solto". Os japoneses e coreanos acham isso "estranho".

Claro que há algumas "iguarias" que são, mundialmente, consideradas "estranhas": espetinho de escorpião na China, sangue de cobra na Tailândia...e polvo vivo aqui, na Coreia.

Nós gostamos muito de polvo. A primeira vez em que comi polvo foi na Espanha, na Galícia, mais precisamente em Melide, na "Pulperia do Exequiel", quando estava a poucos quilômetros de concluir o Caminho de Santiago, em 2002. De lá pra cá, cada vez que ia pro litoral, sempre procurava algo com polvo. Na Coreia, nos esbaldamos: há um prato aqui chamado "Nakji Chookumi" , que é um polvinho refogado num molho BEM apimentado, com verduras e legumes, acompanhado de arroz. É sensacional! Mas, pelo menos, o polvo está morto...

Porém, para os coreanos, a verdadeira delícia é o "San nakji", ou seja, o polvo vivo.

A coisa é simples: pega-se o polvinho pequeno vivo (baby octopus), passa no molhinho, e manda pra dentro. O único problema é que tem que mastigar MUITO. Caso contrário, há o perigo de as ventosas grudarem na garganta enquanto estão sendo engolidas e causarem asfixia no fulano. O complicado é morder enquando os tentáculos ficam grudando na cara e lutando pra sair da boca!

Não, ainda não comemos San Nakji e, sinceramente, não pretendemos. Nós gostamos da nossa comida bem morta no prato, inclusive polvo.

Para ilustrar o que é o San Nakji, vejam o vídeo abaixo, educativo e esclarecedor:

E o Brasil é campeão!

 

Não, não é a seleção. Mas é o time de brasileiros expatriados na Coreia que faturou a Mini Copa do Mundo TBS eFM, sendo que alguns amigos nossos (Daniel, Roberto e Christian) participaram e ganharam do Usbequistão na final. Parabéns!

E as notícias estão nos jornais, na internet. Teoricamente, não preciso dizer que o funeral do ex-presidente que se matou mobilizou o centro de Seul, e que a Coreia do Norte continua ameaçando o Sul, dizendo que "o armistício não vale mais", "que provocações serão consideradas declarações de guerra", e etc. etc. . Eles sempre dizem isso...

O que começa a preocupar ligeiramente (mas nada que tire o sono) é o fato de os estadunidenses começarem a reforçar o contingente militar aqui no Pacífico. Acompanhemos...

Foto: Folhaonline

E 6a. feira foi o 4o. Mesversário da Beatriz! É, já é uma moça de 4 meses! Parabéns!

Annyonheghaseyo!

Renato & Selma



Escrito por Renato Maschetto às 19h40
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Efeito Brendan Fraser© "Reverso"

Post 133

Pra quem lembra, enunciei a teoria do "Efeito Brendan Fraser"© nesse post AQUI. Ela é muito simples: assim como confundimos os orientais achando que todos são parecidos, nós, ocidentais de ascendência européia, também somos todos muito parecidos aos olhos dos orientais. Tanto que as meninas onde corto o cabelo acham que eu sou parecido com o dito cujo ator...fazer o quê, o negócio é aproveitar essa vida de sósia de celebridade... Muito feliz

Porém, na última semana, passei por um processo similar ao Efeito Brendan Fraser©. Só que "ao contrário".

Estava no aeroporto, indo para a China. Sempre que vou pra lá, passo na loja de doces típicos coreanos e levo uma caixa pro pessoal do meu time em Shanghai. Eles adoram (aliás, ainda estou pra ver algo que os chineses não traçam).

As atendentes são todas ajummas, as tiazocas coreanas. Ao contrário das rudes e impetuosas "senhoras" (modo educado "on") que se degladiam com tudo e todos na rua, as ajummas no aeroporto estão sempre bem vestidas, com os penteados nervosões, maquiadas como gueixas (que elas não me escutem, ou vou arrumar briga comparando-as com japonesas). E, apesar de quererem que você compre a loja toda e ficarem te empurrando de um lado pro outro, são muito educadas.

Quando eu vou comprar os doces, eu sempre gosto de tentar usar um pouquinho de coreano para praticar. Claro, elas falam um mínimo de inglês: "korean traditional candy, very good, 20 thousand Won, you buy 2 boxes, very good, you like kimchi, buy kimchi, very good for you, what about ginseng, very good, man 'strong', huh, huh?". Mas é legal se comunicar em coreano: elas ficam impressionadas, esquecem do "empurra-pela-goela" e se ligam que você mora no país, então, não adianta tentar...fora que elas adoram um estrangeiro (qualquer um) de terno...

Quando estava comprando os doces e gastando meu vocabulário de cerca de 19 palavras e meia, uma das ajummas (tinha umas 5 em volta) olha pra mim e diz: "Ooohhh (toda frase coreana começa com "Ooohhh"), Yoon Soo-Il, bla-bla-bla imnida !", ao que as outras, em uníssono respondem: "Ooohhh!" e começam a rir entre elas, apontando para meu rosto com cara de espanto.

Entendi na hora que estavam dizendo que eu era parecido com algum coreano famoso, mas eu nunca tinha ouvido falar do tal Yoon Soo-Il. A Ajumma Master me disse que se tratava de um popular cantor que, na juventude, se parecia muito comigo.

Peraí: como um ocidental pode se parecer com um coreano??? Pedi uma foto, mas elas obviamente não tinham nada à mão. Anotei o nome do fulano e fui pro embarque, não vendo a hora e jogar isso no Google.

Já em Shanghai, perguntei para um colega coreano que trabalha lá se ele conhecia o famoso Yoon Soo-Il. Ele começou a responder "Sim, é um cantor fam..." e parou no meio da frase. Ficou me olhando com aquela cara de indagação que só os coreanos sabem fazer, dando uma quebradinha na cabeça para o lado, puxando o ar pelos dentes...e disse: "Você é muito parecido com ele" ! Aí, complicou! Eu perguntei como eu poderia ser parecido com um coreano, e foi quando ele me explicou que o cara é mestiço, ou seja, é o que os estadunidenses chamam de "korean-american", meio coreano, meio caucasiano. E a explicação mais lógica vinda dele: aos olhos dos coreanos, observam-se semelhanças e detalhes que não necessariamente nós, ocidentais, notamos. Claro.

Procurei a foto dele, achei, e não me convenci. Diz a Selma que são as sombrancelhas. Eu aposto no branco dos olhos:

Curiosidade a respeito de Yoon Soo-Il: ele é considerado o primeiro cantor mestiço da Coreia e em uma entrevista no ano passado afirmou ter sofrido muito preconceito no início de sua carreira, por razões óbvias. No entanto, sua primeira canção foi lançada em 1978, e nesse ano ele conquistou os prêmios de "Melhor Canção Pop do Ano" e "Rocker do Ano". A partir daí, sua carreira decolou. Mas ele afirma que, mesmo assim, teve que lutar muito contra o preconceito em função de sua aparência e condição de "sangue misturado". 

Em 2008, com mais de 30 anos de palco, Yoon Soo-Il lançou um álbum dedicado às famílias consideradas "multiculturais" e trabalhadores migrantes. Todo o lucro gerado com esse disco foi e será doado para famílias mistas e trabalhadores migrantes necessitados.

Legal isso. Em função de um Efeito Brendan Fraser© Reverso acabei esbarrando num caso de solidariedade contra o preconceito racial, valendo-se do meio musical.

E pra quem quiser conhecer Yoon Soo-Il, aí vai um vídeo de 1986 do moço:

E pra quem achava que os suicídios tinham dado um tempo por aqui, se enganou. Ontem, dia 23, foi dia de notícias quentes na península. Suicidou-se o ex-presidente Roh Moo-Hyun, que governou até o ano passado, quando foi substituído por Lee Myung-Bak (o atual, que foi eleito com mais de 70% de aprovação e depois tomou na cabeça com aquela estória da vaca louca).

Foto:JoongAng daily

Segundo a polícia, o ex-presidente pulou do alto de um monte onde caminhava. As investigações estão em andamento, mas a probabilidade de suicídio é grande. Roh e sua família estavam  envolvidos em uma investigação sobre corrupção durante seu mandato e, considerando a possibilidade de vergonha nacional, geralmente, a saída utilizada é o suicídio.

Uma nota foi encontrada em seu computador, e a blogueira Sonagi a traduziu do coreano para o inglês (abaixo, minha versão em Português):

"Eu estou em débito com muita gente.

Muita gente tem sofrido por minha causa.

Eu não posso levar o sofrimento deles mais para o futuro.

O resto da minha vida será apenas um fardo.

Eu não posso fazer nada por causa de minha pouca saúde. Eu nem posso ler ou escrever nada.

Não fique muito triste. Vida e morte são ambas parte da natureza.

Não lamente. Não tenha ressentimentos contra ninguém. É o destino. Cremem-me e construam um pequeno memorial perto da minha casa. Eu tenho pensado sobre isso há muito tempo."

Quem quiser ler mais, clique AQUI.

Foto: Hankyoreh

Annyonheghaseyo,

Renato & Selma



Escrito por Renato Maschetto às 19h45
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VIDEO POST

Post 132

Já faz um tempo que tenho alguns vídeos pra postar aqui, então, vou aproveitar essa oportunidade para colocá-los todos de uma vez.

Como muita gente sabe, já não é mais privilégio da Europa gerar grandes músicos e virtuoses. A Europa é e sempre será o berço da Música Ocidental, mas os talentos hoje vêm de todas as partes do mundo. Em especial, da Ásia.

Aqui no leste asiático (Coreia, China e Japão), educação musical é coisa séria. Algo que é impensável no Brasil, onde só se investe em futebol e olhe lá. Palavras de um músico frustrado, que não se aventurou pelo mundo das artes e da Composição e Regência por medo de um dia não ter emprego e pelo fato de não poder contar com "paitrocínio". Desde cedo sabia que deveria ter um emprego e poder sustentar-me, e seguir o exemplo dos meus pais e avós que sempre trabalharam duro. Não me arrependo do caminho que segui (mesmo porque sabia que o outro seria muito arriscado), mas frustração não se relaciona diretamente, em 100% dos casos, com arrependimento. É apenas um sonho não realizado, e não um sentimento de culpa.

Enfim, por estas bandas, as crianças começam a estudar instrumentos musicais desde cedo, pois é ponto de honra para a família ter um(a) filho(a) que toque algo. Música clássica, entenda-se bem.

Dessa forma, os três países geram uma infinidade de pianistas, violinistas, cellistas, harpistas e outros solistas mais, sempre com o objetivo de, um dia, seus pais terem suas crias junto às grandes orquestras, lançando seus discos e fazendo turnês mundiais. E, para os governos, é boa propaganda também. Se todas as crianças gostam disso, é outra estória, pois a pressão é muito grande. Lembrando que essa carga horária contribui para o cruel esquema ao qual os estudantes são submetidos, inclusive na Coreia.

Lang Lang, Yo-Yo Ma, Sumi Jo, Seiji Ozawa são nomes mundialmente conhecidos, e muitos mais estão a caminho da fama. A China envia anualmente centenas de estudantes para a Europa, a Coreia investe pesadamente trazendo talentos para que aprimorem seus alunos, enfim, uma indústria que preza a boa música e também o nacionalismo.

No caso do Japão, o país já tem uma tradição na música clássica, e está bem estabelecido no cenário mundial. Além disso, há uma maior abertura para outros estilos também, inclusive o rock e o jazz. Tanto que não é incomum vermos pequenos prodígios pipocando aqui e ali, de tempos em tempos.

Conheçam Yuto Miyazawa, um japonezinho de 9 anos de idade, com uma pegada na guitarra que promete. No vídeo abaixo, ele aparece no programa da Ellen DeGeneres, fala que seu ídolo é Ozzy Osbourne, dá uma canja com Crazy Train (reparem no tamanho da guitarra perto dele) e, ao final, uma surpresa. A cara dele a partir de 4:55min e a alegria que ele demonstra são momentos imperdíveis que, se um adulto já ficaria bobo, imaginem uma criança. Assistam, apreciem o talento do garoto, e curtam a felicidade do menino:

A página dele no Facebook está AQUI.

Na semana passada falamos do Festival HiSeoul, e que encontramos o Henrique e outros brasileiros. O Henrique fez um filminho pelas ruas de Seul, e nós também estamos lá. Vejam abaixo o vídeo dele, nossa participação especial aos 1:41min e atuação impecável da Beatriz em 2:25min: 

Não tão engraçado assim (a menos que vocês gostem de humor negro), mas passível de crítica, é esse vídeo abaixo mostrando uma burrice da polícia coreana. Quando falo que segurança não é primordial aqui, é em função de exemplos como esse. Será que é tão difícil saber qual o peso mínimo que esse negócio aguenta? Apesar do triste desfecho, a incompetência tem que ser ressaltada(provavelmente, os pobres policiais tiveram que seguir a ordem de algum superior sem questioná-lo...e deu no que deu):

A história relacionada a esse incidente é um pouco mais violenta, no entanto (parte da cultura de protestos da Coreia). Quem quiser saber mais, clique AQUI.

Pra fechar, um dos melhores comerciais da Korean Air. Que sono: 

E a Beatriz continua fazendo amigos. As garçonetes do Hooters não se aguentam, e adoram ficar mexendo com ela. E hoje ela ganhou até uma bexiga, e ficou toda feliz:

Aos marmanjos: não, não tem foto das meninas do Hooters, não. Alegre

Annyonheghaseyo!

Renato & Selma



Escrito por Renato Maschetto às 18h32
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Post 131

Finalzinho de semana brabo! No bom sentido, claro...

Ontem, sábado, fomos dar uma volta com a Rebeca, uma paulista que aterrissou aqui em Seul no meio da semana e, através do blog, entrou em contato conosco para que pudéssemos mostrar a cidade para ela, e alguns pontos interessantes. Fomos nós de manhã pegá-la no hotel e partimos para a expedição Rebeca em Seul:

Nesse final de semana foi a 2a. parte do festival HiSeoul e, aparentemente, o pessoal dos protestos deu um tempo e deixou o pessoal curtir. Fomos ao centro da cidade onde várias atividades beneficentes estavam sendo desenvolvidas, a maioria voltada às crianças carentes. Compramos uma caneca para nossa coleção, tiramos fotos, passamos por celebridades (até autógrafo as meninas deram):

À tarde continuamos o rolê pelo bairro de Insa-Dong, onde se concentram as lojas de artesanato, galerias de arte, etc. . Depois de andar muito, deixamos a Rebeca no hotel e, provavelmente, com uma boa impressão de Seul e de seus atrativos.

A propósito, Rebeca, obrigado pela "muamba" que você trouxe pra gente! Muito feliz

Hoje, domingo, resolvemos retornar ao centro da cidade para a melhor parte: comida! Como de praxe, o festival possui várias barracas com comidas típicas de diversos países. No 1o. ano que visitamos o festival, em 2006 (nesse post AQUI), a coisa estava meio bagunçada. Este ano, no entanto, a organização foi muito boa, com as barracas espalhadas pelas ruas e com mais representantes de outros países, como Cazaquistão, Nepal, Mongólia, entre outros:

Nós somos fãs de comida do Oriente Médio (na minha modesta opinião, é a melhor comida do mundo!), e nos acabamos na barraca do Afeganistão. Um misturadão de arroz cheio de coisas, com um frango temperado fantasticamente e grão-de-bico com um molho levemente apimentado...vixi...

Nem precisava ter comido, depois, as empanadas paraguaias, as samosas de Bangladesh, as papas rellenas do Peru e um negócio que eu não lembro o nome do Usbequistão...Tonto

Claro que tinha barraca do Brasil, com pastel e brigadeiro:

E foi lá que trombamos, sem querer, com o Henrique, do blog De prosa na Coréia, que comentamos no post anterior:

 

Gente finíssima, como todo bom "minêro". É bolsista se preparando para seu mestrado aqui na Coreia (difícil escrever sem acento) e, por enquanto, se aventurando pelo hangeul e pelo hanguk-oh, a língua coreana.

Infelizmente não ficamos para os shows noturnos mas a organização do festival está de parabéns pela evolução em relação aos anos anteriores. Chukahamnida!

E, obviamente, a Beatriz causou um enorme efeito ambulância: as tiazocas coreanas (as famigeradas ajummas) não podem ver uma criança ocidental! Se estapeiam pra chegar perto, passar a mão, chacoalhar, enfim, fazer os cúti-cúti de sempre. A gente acha engraçado, e não se incomoda, só não gosta muito quando querem ficar pegando na mão dela (que, em 90% do tempo, está dentro da boca dela). Sei lá se essa mão tá lavada! Nós mesmos higienizamos as mãos antes de deixar a Beatriz pegar, vai saber na rua. Ainda mais aqui na Coreia, onde lavar a mão após ir ao banheiro não é uma prática muito frequente. Mas o negócio é acreditar que ela vai desenvolver os anticorpos...

E falando-se em ajummas (que merecem um post só pra elas), o equivalente masculino são os adjoshis, os homens coreanos (mais velhos, entenda-se bem, e estereotipados - por boas razões). Pra quem conhece as feras, divirtam-se com o vídeo abaixo:

Há um tempo atrás, publicamos AQUI um link com fotos da Coréia do Norte.  Encontrei esse outro link recentemente, que também contém fotos do reino de Kim Jong-Il. Vale a pena conferir, algumas fotos são impressionantes. Clique AQUI.

Essa semana que passou foi complicada. Eu ia aproveitar o "estado de ira" para detonar os grupinhos de k-pop, mas resolvi deixar pra outra hora. Prefiro focar no positivo e falar que faltam poucos dias para o lançamento de "Black Clouds & Silver Linings", o novo trabalho da melhor banda do mundo, Dream Theater (que a gente foi ver AQUI no ano passado). Aguardando ansiosamente...

Annyonheghaseyo!

Renato & Selma



Escrito por Renato Maschetto às 18h59
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Cuidado: contratos coreanos!

Post 130

Como sempre relembramos, este blog nasceu como uma forma de ficar em contato com a família e com os amigos no Brasil (e com aqueles espalhados pelo mundo). Ele veio depois do blog egípcio, que teve sua idéia baseada no blog de outro amigo (e de outro também). Porém, com o passar do tempo, os amigos de longa data passaram a acessar menos este blog e outras pessoas começaram a cair aqui, tornando-se nossos amigos virtuais (alguns deles estão na lista aí na coluna direita, em "outros sites que gostamos"). E tem gente que acessa toda semana, religiosamente, e deixa comentários sempre que nos visitam, o que é muito legal. Quando eles não comentam, aí ficamos preocupados! Carente

Além dos "curiosos" pela Coréia, outros internautas também aparecem por aqui: o pessoal interessado em vir pra cá, principalmente para trabalhar e passar um tempo em solo coreano. Pela falta de material referente à Coréia em português, o blog acaba ajudando e dando uma idéia do que é o país, tanto visual como culturalmente.

Isso nos deixa muito lisonjeados, obviamente. Mas, também, é motivo de preocupação: usar nosso blog como fonte única de pesquisa não é a melhor coisa. Afinal de contas, percepções são diferentes, e nossa vida aqui é baseada em certos parâmetros que podem ser totalmente diferentes de outros brasileiros ou mesmo estrangeiros que venham a montar acampamento aqui na península. Mas, com certeza, ajuda muito. Tanto que, regularmente, recebemos emails de brasileiros que gostariam de vir pra cá, pedindo dicas e informações mais particulares.

Em primeiro lugar, gostaria de dizer o seguinte: podem continuar enviando seus emails. Estamos mais do que dispostos a tentar ajudar. Às vezes não conseguimos responder imediatamente, mas procuramos dar toda atenção possível. E procuramos ser sinceros: se não sabemos a respeito de um determinado assunto, vamos tentar pesquisar ou encaminhar sua mensagem para outra pessoa. Se podemos ajudar, vamos ajudar.

Segundamente (existe, pode procurar: se existe "primeiramente", por que não haveria um "segundamente"? O único problema é que não é muito utilizadoLíngua de fora), nós procuramos ser os mais honestos possíveis em nossas respostas, e não tentamos "dourar a pílula": somente afirmar que a Coréia é, por exemplo, um país maravilhoso, desenvolvido, sem violência nas ruas e com 4 estações do ano bem definidas (os coreanos ADORAM falar disso), e não falar, por exemplo, que estrangeiros sofrem preconceito, que segurança (no trânsito, no trabalho) não é prioridade, que o sistema de ensino tem problemas tornando os jovens estudantes infelizes e que a "senioridade" é mais importante que a "competência", seria muito irresponsável.

  

Gosto de repetir: longe de mim querer citar o Brasil como referência de excelência. E não adianta dizer "mas no Japão tem coisa parecida" ou "na China é pior". Como esse é um blog sobre a Coréia, procuro falar sobre a Coréia. Quando a comparação é necessária, é feita. Caso contrário, procuro focar aqui, no pedaço de terra abaixo do paralelo 38.

Com isso em mente, procuramos responder para o pessoal que nos envia emails questionando a respeito de oportunidades de trabalho. Às vezes, nossa resposta pode decepcionar, mas é dada com base na realidade, e não apenas na percepção do que aparece na "superfície". Não sei se o tal documentário do SPTV suscitou uma onda de procura pela Coréia, mas é importante sempre observar todos os lados antes de tomar decisões importantes como a de mudar para outro país. Especialmente quando a cultura (língua, costumes, forma de trabalho, etc.) é extremamente diferente da nossa.

Alguns pontos importantes a serem considerados:

. somos pouquíssimos brasileiros aqui: registrados na Embaixada Brasileira, menos de 400. As 3 principais categorias de brasileiros aqui são: os que trabalham em empresas, modelos e profissionais do futebol. A seguir, há os garçons nas poucas churrascarias brasileiras e os estudantes, entre outros;

. na grande maioria esmagadora dos casos, os brasileiros chegam aqui já com o contrato estabelecido, acertado no Brasil. No caso de empresas, os contratos são, normalmente, "redondinhos", e tudo é acertado corretamente, ou seja, não há espaço para "mutretas";

. para os outros profissionais, nem sempre a coisa é simples: um contrato porcamente redigido na Coréia vai para Brasil e, com a ilusão de melhorar de vida, muita gente não presta atenção aos detalhes ou às famosas "letras miúdas". Chegando aqui, a vida vira um inferno, e um trabalho de garçom numa churrascaria pode se tornar uma bela escravidão com direito à perda de garantias como, por exemplo, o direito previamente negociado de receber uma passagem anual para o Brasil;

Difícil de acreditar? Nem tanto, principalmente quando você sabe que os coreanos são mestres em quebrar contratos.

Contrato no Ocidente é coisa séria. Se está escrito, assinado pelas duas partes e tudo mais, é negócio firme. Tentar quebrar um contrato pode te levar a pagar indenizações monstruosas quando não te levar ao tribunal. Não se brinca com isso. Se uma as partes tem problema, ela pode tentar renegociar, mas depende da outra parte aceitar ou não. Se for pro tribunal, a chance do segundo ganhar é grande, sempre.

Aqui, contrato é um documento. Tem seu valor, claro, mas a palavra é importante também. Se não está documentado, mas foi falado (ainda que baixinho e você não ouviu), também vale. O famoso "contrato de fio de bigode" é muito popular aqui. E, mesmo com um contrato válido, se uma das partes achar que tem problema, ela pode dizer que o contrato não vale mais e partir pra renegociação independente da vontade do outro. E o bicho pega. E estou falando com conhecimento de causa.

Exemplo de freelancers: que tal o caso de um estadunidense que conhecemos aqui há uns 2 anos, que vendeu seus serviços para uma das maiores empresas coreanas (não vou falar o nome, só vou dar a dica que eles são os maiores produtores de carros e navios daqui), fechou o contrato com antecedência incluindo valores e, na hora do pagamento, após a entrega do serviço, a empresa não quis pagar o que era devido? Achou que era muito e que deveriam chegar a um outro valor?

Caso isolado? Não. Há muitos outros, especialmente entre professores de inglês (um exemplo AQUI), modelos, e outros profissionais liberais.

Vejam: não queremos desmotivar ninguém. Uma oportunidade de emprego fora do Brasil pode ser algo sensacional, caso tudo corra bem, e os problemas do dia-a-dia se resumam a achar uma comida boa ou o que fazer no final de semana. Agora, viver correndo atrás de problemas contratuais ou não saber se os termos do contrato serão honrados são situações de estresse desnecessárias, que ninguém quer ter, pincipalmente longe de seu país, sem habilidade de se comunicar numa língua totalmente diferente, e sem a certeza se seu problema será resolvido (e seu salário cairá na sua conta).

Por isso, cuidado:

. brasileiro não precisa de visto para entrar na Coréia como turista, e pode ficar até 3 meses. Se vier pra cá e conseguir arrumar um emprego, vá atrás da documentação, do visto, de toda a papelada correta pra não ser um ilegal. A embaixada na Coréia pode te ajudar (http://www.brasemb.or.kr/);

. tenha certeza que os termos do contrato em coreano são idênticos aos dos termos em inglês (contrate um tradutor especializado);

. se conseguir o emprego, não venha "liso": tenha um cartão de crédito e, principalmente, dinheiro em alguma conta no Brasil. Se algo der errado, pelo menos você consegue pagar uma passagem de volta;

. a melhor opção: consiga algo enquanto ainda estiver no Brasil, via alguma agência idônea, que te auxilie com documentos, vistos, etc.;

. se quiser conversar com estudantes, o Henrique (um "minêro" que estuda aqui) pode, provavelmente, dar mais informações. O blog dele: http://deprosanacoreia.blogspot.com . A experiência de um estudante é totalmente diferente da nossa, em empresas;

. se quiser dar uma olhada na lei coreana, acesse este blog: http://www.korealawblog.com/

Se quiserem mais detalhes - e se soubermos responder - podem entrar em contato. Deixem seu email nos comentários ou no mural aqui ao lado. Entraremos em contato assim que pudermos e, quem sabe, não teremos novos vizinhos brasileiros??

E falando-se em vizinhos, nesse final de semana tivemos a visita de nossos amigos Roberto e Katia que moram em Harbin, no norte da China, um lugarzinho BEM frio:

 

E a Beatriz nem reclamou, ela gostou das visitas:

OBS 1: um pouco de justiça sendo feita: lembram do caso da última atriz que se suicidou,  Jang Ja-yeon, que relatamos AQUI ? Pois bem, muitas denúncias foram feitas de abuso, que os produtores e diretores estavam usando a menina para encontros, etc. . Finalmente, estão indo atrás dos caras. Se quiserem ler mais, uma das notícias AQUI.

OBS 2: o Festival HiSeoul, que tem como objetivo juntar as pessoas, integrar os estrangeiros, etc. etc. foi, infelizmente, deturpado em função da presença de manifestantes celebrando o aniversário de 1 ano dos protestos sobre a bobagem da vaca louca no ano passado. Textos e fotos podem ser vistos AQUI. Uma pena.

Annyonheghaseyo!

Renato & Selma



Escrito por Renato Maschetto às 12h27
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