Serviço de utilidade pública aos brasileiros que residem na Coreia: a Embaixada do Brasil está patrocinando um recital com a pianista Leda Kim, referente aos 50 anos de amizade Brasil-Coreia. A pianista interpretará obras de Villa-Lobos(então, devem estar comemorando, também, os 50 anos da morte de Villa-Lobos), no Sejong Center, e os primeiros 50 brasileiros (quanto 50!) que enviarem um email para a Embaixada ganharão ingressos de graça (quero dizer, são no máximo 49 agora, pois já garanti o meu). Maiores informações, cliquem aqui.
Eu gosto de Villa-Lobos. Apesar de eu ser um fã convicto do Barroco, e não ser muito fã de música clássica do séc. 20 (com algumas exceções aqui e ali, como Ravel, de Falla, Stravinsky, Joaquin Rodrigo), Villa, para mim, se sobressai. Talvez seja a bela mescla que ele faz com a música folclórica brasileira, ou sua música de câmara que é algo fantástico. Além disso, Villa propagou a música brasileira muito mais que outro célebre compositor nosso, Carlos Gomes, este no séc. 19. Claro que "O Guarani" é uma obra-prima (entre outras obras-primas que ele compôs), que fez com que Carlos Gomes fosse comparado aos grandes mestres italianos da ópera (como Verdi, por exemplo), mas ele não tem um "Trenzinho do Caipira"...
Em Seul, algumas semanas atrás estivemos andando pela cidade, caminhando pela nova área de Gwanghwamun, próxima à prefeitura, onde há o maior palácio, o Gyeongbokgung e onde acontece a maioria dos protestos coreanos. Ou "acontecia", pelo que entendemos...
Estávamos para atravessar a avenida quando uma moça nos abordou, apresentando-se como "jornalista", e perguntando o que achávamos da nova área de lazer.
Explicando: antes, era apenas uma larga avenida:
A prefeitura então investiu e construi uma espécie de longa "ilha" no centro da avenida, um grande calçadão, com fontes, jardins, etc.:
Nossa resposta foi que a obra ficou interessante, afinal de contas, o povo tinha agora mais uma opção de lazer, o local ficava mais bonito, e que o único problema era a falta de árvores. Já que era um projeto novo, podiam ter colocado algumas árvores para dar um ar mais aconchegante, ao invés de tanto concreto. Fora isso, tudo bem.
Ela ficou nos olhando com o famoso olhar coreano de indagação, e disse "Oh...verdade? Então, vocês gostaram?". "Sim, gostamos", foi a resposta. Aí ela nos perguntou se sabíamos que aquele local era usado para protestos anteriormente...
"Claro", respondi, "foi quando teve aquela coisa toda da vaca louca, não?"
"Ah, é, então, antes, o povo podia fazer os protestos aqui. Agora, se quiser, tem que pagar uma taxa para usar o local..."
Hein?
Os protesteiros de plantão me esclareçam, por favor: no Brasil também tem que pagar pra fazer protesto na Paulista? Eu acho que não mas, se for ignorância minha, favor iluminarem minha mente.
Perguntamos à garota se isso era fato, e ela confirmou. Mas dissemos "se é protesto, por que vocês não vão chegando e tomando conta? A polícia não faz nada mesmo, não dá pra responsabilizar um monte de gente, é chegar e protestar, ora!". Ela deu uma risadinha sem graça - acho que não fez muito sentido pra ela o que dissemos - e não soube o que dizer. Reforçamos: nunca vimos pagar pra protestar, que papo estranho...ela viu que não tinha mais muito o que fazer ali e foi embora. Isso foi esquisito.
Mais uma fotinho do local, com a Beatriz brava por causa do sol e do sono:
E hoje ela completa 8 meses! Parabéns, filhota!
Eu não sou um cara fanático por carros, mas posso dizer que conheço "um pouco" do assunto. No que diz respeito à indústria automobilística coreana, uma coisa era clara até alguns poucos anos atrás: o design dos carros era algo tenebroso. É só ver a frota coreana para notar a pobreza no design (especialmente os Ssangyong). Contudo, a partir de 2006, as coisas começaram a mudar, com as montadoras ficando mais arrojadas, apostando em linhas mais modernas.
Um exemplo é a Chevrolet Captiva que é, na verdade, baseada na Winstorm, uma SUV projetada aqui na Coreia:
E não são somente os carros grandes. Um carro que com certeza vai estourar no mercado local e no exterior (a Coreia é uma potência exportadora de veículos) é o novo Matiz Creative, da família dos carros bem pequenos (padrão Celta):
A imprensa especializada já está elogiando o carro, que tem padrões de segurança acima da média para carros desse porte. E vem mais por aí.
E se você acha que já viu ele em algum lugar, talvez foi aqui:
Sexta-feira é feriado aqui na Coreia, o Chuseok, ou o "Ação de Graças" coreano, talvez o mais importante feriado do país. Época do ano de presentear com kits de alimentos, produtos de beleza, caixas com 1 dúzia de laranjas de US$ 100...mas, principalmente, tempo de os coreanos honrarem seus ancestrais e seus familiares.
Foto daqui: danielleandaj.wordpress.com
Ficaremos por aqui, pois todo mundo viaja pro interior da Coreia (enfrentando congestionamentos muito piores que os Anchieta-Imigrantes), e Seul fica vazia!
Infelizmente, não deu tempo de escrever um post decente essa semana. Mas resolvi fazer um catado de alguns assuntos que podem interessar aos leitores do blog, tais como a questão do preconceito, adoção e outros:
1) em relação ao post anterior: continua a saga do Sr. Hussein, que dessa vez se sentiu ameaçado fisicamente por outra pessoa. Além disso, os coreanos tem reagido ao caso - que foi exposto pela imprensa - pedindo desculpas ao professor indiano via internet, dizendo que ele deve esquecer o caso, que todos estão com vergonha em função do ocorrido, etc. . O próprio agressor, o tal Sr. Park, em uma audiência com os promotores e com o Sr. Hussein, pediu desculpas e pediu para que a queixa fosse retirada. O professor indiano, no entanto, apesar de notar uma diferença na atitude do fulano, não retirou as queixas. Segundo os promotores, o caso será julgado como qualquer outro na Coreia, já que não há leis aqui proibindo a discriminação racial.
Quem quiser ler mais, clique aqui, onde há mais depoimentos de outras vítimas de preconceito (estrangeiros, coreanas casadas com estrangeiros, etc.) e mais estória.
2) ainda em relação a esse assunto, interessante este post do Henrique, onde ele narra que foi "desconvidado" (!?) para um casamento coreano, visto que o pai da noiva "achou que os estrangeiros iriam depreciar o evento, especialmente os de pele escura". Se não clicou acima, clique aqui.
3) os plugados (e fãs de Grey's Anatomy) já devem ter visto que a atriz Katherine Heigl adotou um bebe coreano. A coisa virou notícia aqui na Coreia obviamente pois 1) é uma atriz hollywoodiana e 2) é um bebe coreano. Eu devo ser muito ingênuo, pois só vejo pontos positivos em adoção de bebês. Porém, tem uma turma que gosta de debater o assunto trazendo vários pontos negativos à discussão, entre eles: "ora, porque não adotar uma criança na Africa onde, provavelmente, são muito mais necessitadas do que na Coreia?". Bom, acho que se a criança está disponivel para adoção, a necessidade é idêntica do ponto de vista da criança, não importa onde. Claro que a infraestrutura do local que abriga essa criança na Coreia tende a/pode ser melhor que, digamos, na Somalia, mas essa é uma discussão apropriada? Se quiserem ler mais, cliquem aqui.
A propósito, eu não sabia que a Coreia era um dos principais paises com crianças adotadas por estrangeiros. Em 2005, a Coreia do Sul foi o 4o. pais com mais crianças adotadas por cidadãos dos EUA. Foram 1.630 crianças coreanas registradas nos Estados Unidos (números podem ser vistos aqui), só perdendo para China(7.906), Russia(4.639) e Guatemala(3.783). Em 5o. e 6o. lugares estão a Ucrânia, com 821 crianças e o Cazaquistão, com 755. A Etiópia vem em 7o., com 441 adoções.
E impressiona mais ainda quando se pensa no percentual. Em cálculos rápidos, para a China, 7.906 crianças são, matematicamente, cerca de 0.0006% da população estimada (1.3 bilhão de pessoas). Já na Coreia do Sul, o percentual sobe para 0.003% (entre 48 milhões de pessoas), ou seja, proporcionalmente, são 5 vezes mais adoções na Coreia do que na China.
Não fui atrás de possíveis fatores que fazem com que tantas crianças estejam disponíveis para adoção na Coreia. Na China, alguns pontos são bem claros, como a política do filho único, que não permite que casais tenham um(a) segundo(a) filho(a), fazendo com que muitas crianças sejam colocadas para adoção; e também pelo fator cultural da "linhagem", onde espera-se que o primogênito seja menino, pois dará continuidade ao nome da família (o que gera a rápida conclusão que mais de 50% das crianças disponiveis são meninas).
Na Coreia tambem se preza pelo primogênito menino, o que gerou uma grande onda de abortos de meninas há alguns anos atrás, o que culminou na proibição de se informar o sexo do bebê na ocasião do ultrassom pre-natal. Quando a Selma estava grávida, e ainda não sabíamos se vinha a Beatriz ou o Beatrizo, a médica se recusou a dizer se era menina ou menino:
Nós: Então, é menino ou menina?
Médica: Não posso dizer.
Nós: Êêêêê, fala logo Dona Sung, pra nós, não faz diferença alguma!
Médica: Não posso dizer!
Nós: Pára com isso, a gente quer saber, ajumma do #$%&%&!!
Médica: Ok, ok, eu posso dizer se é "achatado" ou não...no caso, é achatado.
Nós: Aaahh, é menina?
Médica: Eu não disse isso...
Nós: Tá...
Recentes campanhas como a "Love your daughter" ("Ame sua filha") vieram com a missçao de mudar a cabeça do povo, visando uma maior aceitação das meninas. Tomara que esteja funcionando.
Se alguém aí tiver mais informações em relação à adoção na Coreia (Dr. Yu, SM Soh, etc.) e quiser compartilhar, fique à vontade.
4) E um coreano nervosão mostrou o que se faz quando se está muito estressado. Um tal Sr. Lee, de 36 anos, demitido e sem conseguir arrumar emprego, resolveu detonar pneus de carros. Foram 160 pneus, rasgados de uma forma que reparos não foram possíveis, e os donos tiveram que trocar todos os pneus. Os danos foram estimados em KRW 30 milhões (algo em torno de US$ 24 mil, ou cerca de R$ 44 mil), e o Sr. Lee, apesar de estressado, disse que entende que sua ação foi criminosa. Se não acredita, leia aqui.
Claro que alguém vai dizer que é melhor um pneu rasgado do que mais um assaltante nas ruas...
Nas notícias familiares, nosso novo apetrecho chegou no final de semana: um carregador pra Beatriz, desses que vão nos ombros. Foi uma promoção pela internet, e o arrebatamos.
Com isso, fica mais fácil fazer caminhadas, sem o inconveniente do carrinho. Sem dizer que ela gostou do test drive em volta de casa e o balanço com certeza vai fazer ela dormir um monte:
Pra fechar, eu não podia deixar o Biafra de fora. Eu dou risada cada vez que vejo esse video (que, aparentemente, bombou na internet brasileira nessa semana). Afinal de contas, "Voar, voar, subir, subir"...e o parapente desceu! Ele disse depois que não se machucou, foi um susto, mas o câmera foi bem fela de não ter avisado...
Update: o primo de uma amiga nossa aqui na Coreia está participando de um concurso internacional da Bacardi, com o design de uma taça. Ele representará o Brasil na final mundial, na Inglaterra. Trata-se de um rapaz dedicado, que passou por poucas e boas, e que merece reconhecimento por ter chegado até a final e, quem sabe, até ganhar o prêmio.
Se vocês puderem clicar no link abaixo e votar em favor dele, será muito legal. O nome dele é Kleber Henrique Terradas, e a taça é a "Sensual Paradise". Obrigado!
O post atrasou essa semana em função de um pequeno problema. Como a Selma escreveu no outro blog, ontem foi a primeira vez em que a Beatriz ficou doentinha. Nada muito sério, apenas um resfriado (ela não teve febre), mas que deixou o nariz dela cheio de melecas que incomodavam na hora que ela queria respirar. A gente tentava limpar com aquela bombinha de sucção, e ela esperneava por causa daquilo no nariz dela. Mas, entre ela braba e fazer com que ela consiga aliviar o nariz, eu prefiro aguentar a choradeira e tentar limpar o salão. E, afinal de contas, esse negócio nem dói.
Uma inclinada na cama dela foi o suficiente pra fazê-la dormir sem ter o nariz entupido. E, para nossa alegria, ela nem se deixou abater: continuou locôna, brincando normalmente e comendo muito. Filhota, fica calma que vai passar (olha o zóinho de guaxinim dela):
A coisa toda aconteceu semanas atrás: Bonojit Hussein, um professor pesquisador indiano que há 2 anos leciona na Coreia, estava em um ônibus com uma colega coreana. Do nada, um coreano sentado atrás dele começou a insultá-lo, chamando-o de sujo, de "Árabe" (o que é triste, pois chegar ao ponto de usar o termo "árabe" para insultar alguém é muita ignorância), dizendo que ele tinha mau cheiro, e também chamando sua colega de p***.
Os insultos continuaram e, por incrível que pareça, o professor e sua colega conseguiram levar o homem até um posto policial para prestarem queixa. E, pasmem, uma senhora coreana se ofereceu para servir de testemunha (isso é progresso).
Nesse ponto, a estória ficou pior. Chegando lá, primeiro os policiais não acreditaram que Hussein fosse um professor, e ele teve que provar com todos os documentos possíveis e testemunhas. Aí, a polícia não quis fazer nada, dizendo que não tinha nada de mais, e que os dois deveriam desculpar-se mutuamente. Ahn ??
Eu ouvi a entrevista do professor na rádio, e a reação do repórter foi idêntica: "Como assim, os dois deveriam desculpar-se?". Pois é: o cara é insultado, e ele tem que pedir desculpas...
Momento explicação cultural: na Coreia, muita coisa se resolve na base da "desculpa". Ex.:
1) duas pessoas estão jogando cartas num bar: um perde, fica nervoso, dá um murro na cara do outro e quebra uma garrafa de soju na cabeça dele. Vão os dois pra delegacia. Lá, ele explica que estava bêbado, que não queria fazer isso. Pede desculpas, não vai fazer mais, e tá tudo certo;
2) um cara passa o farol vermelho e bate no carro do outro. Ele está, obviamente, errado. Os dois saem do carro, não houve vítimas, mas eles não movem os veículos, atrapalhando o trânsito do local (essa é minha vida, todo dia tem acidente, todo dia tem trânsito parado em função dos motoristas inaptos). O que bateu o carro pede desculpas, diz que não viu o farol, tinha tomado umazinha, e que vai ter mais cuidado dali pra frente. Fica tudo certo, ninguém fala mais nisso;
3) o presidente da Hyundai é condenado em função de um esquema dantesco de corrupção, pegou dinheiro de tudo quanto foi canto, todo mundo sabe, todo mundo viu, saiu em todos os jornais e deu na TV. Ele pede desculpas, e o Presidente da Coreia lhe concede um "perdão nacional", pois ter esse senhor preso "é um atraso para a Economia do país"...
Voltando ao Sr. Indiano: ele disse que não ia pedir desculpa coisa nenhuma, e quis prestar queixa. A polícia não aceitou (!), e foi todo mundo embora.
Não satisfeito, ele foi à Comissão de Direitos Humanos e prestou queixa. Os promotores então indiciaram o coreano "Sr. Park" (que é um jovem em seus 30 anos) por uso de linguagem racista, considerando o ato criminoso. Agora, vamos ver no que vai dar...
Claro que essa não foi a unica vez em que o professor sofreu preconceito racial, nem terá sido a última. O mesmo vale para outros estrangeiros na Coreia, especialmente os que chegam do sul e sudeste asiático: Índia, Paquistão, Bangladesh, Tailândia, Indonésia, Vietnã, Filipinas, etc.
Os coreanos têm um gigantesco complexo de inferioridade, que pode ser explicado em função da história do país, entre outros fatores. China, Japão, Mongólia, todo mundo passando por aqui e tirando sua casquinha. A necessidade de auto-afirmação e o preceito da homogeneidade racial combinados resultam em uma mistura explosiva, que recai sobre os menos favorecidos. No caso, cidadãos de países que ainda não se desenvolveram como a Coreia ou estão a se desenvolver. A regra genérica é simples: se a cor da pele é mais escura, os coreanos se julgam superiores; se é clara (incluindo aí os japoneses e os caucasianos), eles se sentem inferiores. Para os coreanos, são melhores que eles os japoneses, os estadunidenses e os europeus; os demais, são piores. Brasileiros eles nem conhecem, e dos chineses eles tem medo...
Patrulheiros de plantão dirão que no Brasil é igual, que nos EUA é igual, que em Endor é igual, que em Kripton é igual, que na festa do Tomate-vermelho-pra-molho é igual...pode ser parecido ou igual, mas não vem ao caso nesse momento, já que estamos falando de Coreia. E, sinceramente, não consigo ver essa cena num ônibus em São Paulo. Um dos dois, provavelmente, sairia dessa discussão num paletó de madeira...
Honestamente, isso não me choca mais. Há 2 anos atrás, sim, ficava espantado com essas coisas aqui na Coreia. Hoje, faz parte do dia-a-dia. O insulto, quero dizer. A atitude da polícia, no entanto, é vergonhosa.
Enquanto isso, aprendam como fazer seu filho se aprontar pra escola em 5 minutos:
Então, como deu pau no campo de comentários, aí vão os nomes em hangeul:
Simone 시모네
Umberto 움베르토
Celina 세리나
Camila 가미라
Drielly Fernanda 드리에리 페르난다
Eder 에더
Marlene 마를레니
Itainara 이타이나라
Fabiana 파비아나
Edgardo 자파미타 (lê-se "japamita")
A Simone disse que os restaurantes na China que oferecem os tais cartões de fidelidade não são lá essas coisas. Mas tenho certeza que outros restaurantes que não oferecem o sistema podem ser muito bons. Em Shanghai, já tive a oportunidade de comer em locais ótimos, e a comida ocidental por lá é melhor que aqui na Coreia, pois não tem o efeito de "bastardizing", ou seja, de adaptar o sabor ao paladar local. Bom, isso nos que eu visitei na China...alguém aí pode ter tido experiências piores...
Aqui na Coreia, nunca tivemos problemas em relação à qualidade dos ingredientes dos pratos. Nunca tivemos eventos gastro-intestinais em função de contaminação por comida, nenhum problema de "viscosidade baixa", nenhuma "tronada" mais violenta. Claro, intolerância a alguns ingredientes, no início (ex. pimenta), nos causaram alguns "inconvenientes", mas era uma fase de adaptação.
Como já mencionado nesse blog, o problema aqui é o sabor de algumas coisas, tanto na comida coreana quanto na "internacional".
Eu classifico os restaurantes aqui em 4 grandes categorias:
1) Restaurantes Coreanos
São aqueles que oferecem, exclusivamente, comida coreana. Desde as mais famosas entre os estrangeiros, como Bibimbap (mexidão de arroz), Kimbap, Galbi (churrasco coreano), Bulgogui (carne marinada na grelha), Samgyopsal (baconzinho na chapa), etc., até os pratos mais diferentes ou "avançados" (em pimenta), como o nakji tchukumi (polvinho apimentado) e outros.
A partir do momento em que você começa a gostar de determinada comida, a coisa vai bem. Como no caso do shabu-shabu. Agora, tem coisas que não descem mesmo. E, por mais que você tente, você não come com prazer. Aí, não vale a pena perder tempo e sucos gástricos. É melhor partir pra outra...
2) Restaurantes de comida não-coreana (mas com dono coreano)
Com raríssimas exceções, esses restaurantes dão certo. Exemplo de não dar certo é a churrascaria "Ipanema", em Seul. Estivemos lá somente 1 vez, em 2006. Os garçons, brasileiros, gente boa. Mas nem eles puderam salvar o menu, cujo bufê de saladas era sofrível, e o corte das carnes, duvidoso. Outro exemplo é a rede de restaurantes italianos "Sorrento": a comida não é ruim, mas passa longe da comida italiana. Um mero espaguete ao sugo sofre na mão deles...não é ruim, mas não é italiano. E ainda tem um ou outro tailandês que foi sacrificado, e por aí vai.
O problema é que os donos coreanos acham que sabem como a comida deve ser feita. Não perguntam. Não contratam alguém que conheça do assunto para ajudar. Foram uma vez pra fora do país e, pronto: vamos abrir um restaurante internacional. Aí, bastardizing em ação novamente.
Tem uns caras que são capazes de quererem ensinar a Tia Anastácia a cozinhar...
3) Restaurantes de comida não-coreana (e com dono não-coreano)
Nesta categoria estão os restaurantes indianos, árabes, italianos, etc. com donos indianos, árabes, italianos, etc. . Aí, a coisa é boa.
Com exceção dos italianos (cujos restaurantes fervem com coreanos que consideram os locais "upscale" - aqui não tem aquele esquema de "cantina", de "trattoria", restaurante italiano aqui é "chique"), os demais, em geral, atendem, principalmente, a comunidade de seu respectivo país (além dos demais estrangeiros e, também, coreanos). Ou seja, a comida tem que ser boa e representativa do país, caso contrário, o pessoal fica brabo.
Tem restaurante jordaniano, paquistanês, búlgaro, todos excelentes (pois os donos são "originais")! E hoje ainda descobrimos um restaurantezinho paraguaio, o único da Coreia. Comemos empanadas, chipas e carne assada. Tava bom...
Foto do fatmanseoul
4) Redes estadunidenses na Coreia
Aqui entram Outback, Bennigan's, TGIF, Sizzler, os trashs McLixo, BgKing, os paraísos Dunkin' Donuts, KrispyKreme, etc.
Enquanto em São Paulo é um "evento" ir ao Outback, por exemplo, aqui é a coisa mais natural do mundo. Assim como tem um Shitbucks a cada 500m, há pelo menos 2 ou 3 Outback em cada vizinhança. É como ir à padaria (claro que é mais caro). Mas, quando não se quer arriscar, esse tipo de restaurante é garantia que você vai encontrar algo conhecido e muito próximo do que você comeria fora.
Mas é óbvio que há no cardápio alguns itens "coreanizados". Por exemplo, que tal seu filé abarrotado de alho quase cru? Obs.: nós gostamos mas, se um for comer, os dois tem que comer, senão, ninguém aguenta o dia seguinte...
E várias pessoas nos perguntam sobre os videogames na Coreia. Como não poderia deixar de ser no Leste Asiático, os coreanos também são fanáticos por games. E o negócio aqui é Starcraft:
A versão multiplayer é extremamente popular na Coreia, e o pessoal se profissionaliza. Há patrocínio para os jogadores e canais de TV dedicados a transmitirem os jogos, que acontecem em "e-sports stadiums", algo como "estádios para esportes eletrônicos":
Os campeões são superstars na Coreia, têm tratamento de rei. Mas acho que só fazem isso da vida...
Trombei com o vídeo abaixo no Korea Beat. Só de ver a mulher passando a tesoura nessas bolsas (claro que devem ser falsas) já fiquei feliz. Quanta bobagem esse negócio de pagar milhares de dólares em Louis Vitton, Gucci e outras porcarias mais:
Amanhã, tem coquetel pra brasileirada na casa do embaixador. Coisa fina...
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