Top 10 Hits na Coreia, em 2010

Post 182

Não, não são os Top 10 da parada do K-Pop. Mesmo porquê, se fosse isso, era só colocar qualquer música de qualquer grupinho coreano irritante ("grupinho coreano irritante" é redundância pleonásmica!), pois é tudo a mesma tranqueira.

Segundo o Instituto de Pesquisa Econômica Samsung, estes são os "Top 10 Hits" da Coreia em 2010, isto é, produtos, serviços, eventos e acontecimentos que transformaram e redefiniram a sociedade durante este ano que passou (analisem e vejam se seria algo similar no Brasil):

1. Smartphones: 40% das vendas de celulares foram de smartphones (e os céticos enganaram-se: o iPhone vendeu muito acima do previsto);

2. Superstar K2: show de talentos onde amadores competiam por prêmios em dinheiro e carros (uma espécie de American Idol coreano). 18% de "ibope" na final, um recorde, visto que TV a cabo aqui tem um público de cerca de 1% apenas;

3. Time Nacional de Futebol Feminino: apesar de parcas condições de treinamento, as meninas foram as campeãs do Sub-17;

4. Social Media: serviços de sites de relacionamento através de smartphones cresceu exponencialmente em 2010;

5. Tablet PC: sucesso de vendas (mas, neste caso, o tablet da Samsung se deu muito bem quando comparado com o iPad);

6. K-Series, Kia: carros da Kia que se deram bem. Nem é pra tanto: o Alpheon foi um lançamento MUITO melhor:

 7. Avatar: recorde de bilheteria, com 13.35 milhões de espectadores (lembrem-se que a Coreia tem uma população de 50 milhões);

8. Blueberry (a fruta): essa eu tenho que deixar a frase em inglês, pois é um belíssimo Konglish: "Healthy and multi-tasking super food (!?) with good taste and aesthetic appreciation"...que raios é "multi-tasking super food"? E apreciar a beleza plástica da fruta, a estética? Fruta tem que ser boa, e não bonita! Mas, claro que tinha que ter um lance desses na lista...

9. Roupas Térmicas: um sucesso agora no fim do ano, roupas que colam no corpo e o mantém aquecido;

10. Novela "Bread, Love and Dreams": sei lá porquê, mas deve ser aquelas de impacto como muitas no Brasil, no passado. E não me perguntem, pois não acompanho novelas (a última que vi acho que foi Roque Santeiro...);

A Coreia fecha 2010 com a triste lembrança dos ataques norte-coreanos ao navio Cheonan, que deixou 46 mortos meses atrás, e o recente bombardeio em Yeonpyeong, com baixas civis e militares. Um ano ruim para a península coreana sob essa perspectiva e, provavelmente, o assunto Coreia do Norte continuará em pauta em 2011, especialmente em função da discussão a respeito da sucessão ditatorial, onde Kim Jong-un, o filho mais novo de Kim Jong-il, aparentemente prepara-se para substituir o pai.

Há também certa apreensão no setor econômico em função do recente acordo de livre comércio com os EUA, onde conservadores e protecionistas estão querendo defender o seu lado (isto é, deixa como está, vamos cobrando o que queremos do povo). Mas 2011 e os próximos anos dirão se foi uma boa idéia, ou não.

Obs.: a propósito, vi que a tarifa de importação para brinquedos chineses no Brasil será aumentada para 35% a fim de "proteger" a indústria nacional. Ou seja, aumentar o preço do concorrente e ferrar a população, tudo bem. Agora, estimular o fabricante nacional a se desenvolver e ser mais competitivo, ninguém quer. Concordo que competir com a China é praticamente impossível, mas dá pra melhorar muito no Brasil. Mas é uma falta de vontade tremenda. Fez certo o Collor ao abrir as portas na década de 90: veja onde chegou a indústria automotiva brasileira.

Aos leitores do blog, desejamos um Feliz Ano Novo, onde quer que vocês estejam.

Voltamos em 2011.

Annyonheghaseyo, e

새해 복 많이 받으세요



Escrito por Maschetto às 15h55
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Feliz Natal!

Post 182

No meio de "tanta" entrevista (ok, menos, menos...), esqueci de mencionar que também fiz uma por email para a Record, que foi publicada no site deles. O título é "Bombas norte-coreanas não assustam brasileiro em Seul". Pra quem quiser ler, é só clicar AQUI.

Hoje é véspera de Natal, um Natal que nós não imaginávamos passar na Coreia. Segundo o plano original, deveríamos ter sido repatriados em Maio deste ano, porém, mudanças aqui, propostas ali...e ficamos mais um tempo na península.

E sendo mais um Natal coreano, tivemos a oportunidade de participar de um evento muito interessante: a empresa promoveu uma festa de Natal para crianças carentes, órfãos e crianças com necessidades especiais (deficientes físicos e mentais). Os estrangeiros foram convidados a se vestirem de Papai Noel e participarem de atividades com as crianças. Foi divertido, abaixo, a foto que saiu no "The Korea Times" (tentem achar o Papai Noel brasileiro aí no meio):

O que mais me impressionou foi a educação das crianças: ao contrário da molecada coreana que a gente vê por aí sempre se estapeando, cortando fila e empurrando, as crianças que participaram do evento eram de uma gentileza indescritível, sempre agradecendo ou pedindo as coisas educadamente. Imagino que a boa vontade dos professores e professoras é um dos segredos para essa atitude (e quero acreditar que não tem tanta influência a punição corporal, ao contrário das escolas regulares).

Fim de ano também é hora de sair com o time e aguentar os infinitos brindes de soju. Macaco velho, aproveitando que o soju parece água, sempre tinha meu copo cheio de H2O e, quando o pessoal vinha brindar, ao invés de deixá-los encher meu copo, eu mostrava-o cheio e brindávamos: eu com água, eles com soju. Claro que não dava pra enganar sempre mas, comparado com o resto do pessoal, eu saí do restaurante menos "calibrado". Aí estão meus "meninos":

Considerando que os exercícios militares do Sul aconteceram sem incidentes esta semana - apesar do Norte estar reclamando como um rabugento a todo instante - acho que o Natal será tranquilo, sem bombas, sem mísseis. Como disse um colega que está aqui a trabalho quando sua família lhe telefonou e perguntou sobre a segurança, sua resposta foi "Aqui está mais seguro que dar uma volta no quarteirão aí em São Paulo...". Sinceramente, é uma dura verdade. Esperamos que a situação não mude (quero dizer, que aí em Sampa melhore, pelo menos).

A todos os leitores do nosso blog desejamos um Feliz Natal e um ótimo 2011. Ano que vem esperamos estar por aqui ainda, contando mais novidades diretamente da "Terra da Calma Matinal" (esse é o slogan principal da Coreia, e não me perguntem o porquê).

Annyonheghaseyo!



Escrito por Maschetto às 12h40
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Vo...vo...vo...vo...

Post 181

Mês passado participei de um evento da indústria aqui. Empresários e executivos de diversas empresas e países, quase 1.000 pessoas. A grande maioria, claro, coreanos.

Enquanto andava pelo salão, procurava identificar as línguas e buscava, claro, algum brasileiro perdido por aqui: coreano, inglês, japonês, mandarim, alemão, francês...e nada de português.

Passando por uma mesa, ouvi a língua-mãe: dois rapazes do interior de São Paulo. Conversamos e trocamos cartões. Mais pra frente, um brasileiro me aborda: carioca, na dúvida, chegou falando em inglês, mas o sotaque o entregou. Os três vieram pra Coreia apenas para o evento, nenhum deles morando aqui.

Bom, 4 brasileiros num evento coreano de 900 e poucas pessoas dá quase 0,5%. Está de bom tamanho, considerando a distância e a pequena representatividade de empresas brasileiras na Coreia (e vice-versa).

Na saída, vejo um rapaz que, por alguma razão, achei que seria brasileiro: não sei se era o cabelo bagunçado, ou a combinação da gravata com o terno (isso é algo muito estranho, não me peçam pra explicar - pois eu não sei - mas, pela roupa, geralmente consigo descobrir quem é brasileiro). Cheguei perto enquanto ele falava ao celular, e acertei. Enrolei um pouco e, quando ele desligou, me apresentei:

- Opa, mais um brasileiro por aqui.

- Ô, legal, tudo bem, meu nome é Xavier*.

- Prazer, Xavier, está de passagem?

- Sim, vim pro evento, e você?

- Eu moro aqui, mais fácil.

- Ah, ok, aqui está o meu cartão.

- Obrigado, Xavier. Aqui está o meu.

(olha meu cartão, olha pra minha cara, faz cara de dúvida, olha de novo, lê o cartão, fixa o olhar em mim)

- (apontando o dedo, com cara de espanto): vo...vo...vo...vo...

- Vai aonde, simpatia?!

- VO...VO...VOCÊÉOCARADOBLOG, PUTZMEUEULISEUBLOGINTEIROANTESDEVIR, CARAQUELEGAL, SEUBLOGMEAJUDOUMUITO, PUTZQUEDAHORA, CARANÃOACREDITO, MEUQU...

- Calma, calma, até parece que sou celebridade! surpreso Legal, meu blog ajudou, que coincidência, mas não acredite em tudo que eu escrevo, tem gente que não gosta...

- Que nada, deu tudo certo: a comida, o esquema de tratamento com os caras, tudo. Ajudou muito! Putz, meu, que legal, n...

- Fico feliz em ajudar. Bem, boa estadia, e boa viagem de volta!

- Obrigado, meu, que legal, até mais, putz, minha esposa não vai acreditar, qu...

*Xavier é um nome fictício. O nome foi alterado a fim de proteger a identidade dos inocentes.

Fui embora achando aquilo engraçado. Ora, sou um Zé Mané (escrever "Zé Mané" é preconceito contra os Josés Manuéis? Se for, aqui vai meu disclaimer: "a utilização do termo 'Zé Mané' não tem a intenção de ofender quaisquer Josés Manuéis. Caso alguém se sinta ofendido, favor não levar o chiste a ferro e fogo"), mas o cara parecia que tinha visto um fantasma.

E é quando você entende a dimensão das coisas que trafegam pela internet: qualquer bobagem pode virar algo de proporções absurdas. O que me lembra também uma estória que o pessoal aqui me contou (acho que foi a Briza) que, na época da Copa do Mundo, quando eu estava andando pela rua, passou um grupo de brasileiros a caminho de um bar pra ver o jogo e ficaram apontando pra mim (eu não vi): "olha lá, o cara do blog Nós na Coreia", "é, é ele mesmo", "puxa, é ele", "nossa, não sabia que ele era tão alto e elegante" (ok, essa última eu inventei) Muito feliz

E para os econômicos de plantão, aqui vai mais uma refeição que custa "5 conto": tteokramyeon + kimbap. Em língua compreensível: miojo (ramyeon) com bolinho de arroz prensado (tteok), e kimbap (que vocês já conhecem daqui).

O Ramyeon (no Japão, ramen; no Brasil, chamava-se miojo e, agora, acho, ainda é lamen) é talvez a comida mais popular da Coreia (e do Japão e da China). Barata, fácil de fazer, e enche a barriga. É colocar água quente, e pronto. O pessoal come ramyeon no escritório, na rua, em casa, na loja de conveniência, no aeroporto, em todo lugar.

Mas não é uma das comidas mais saudáveis: sendo pré-frito, pode ser considerado bem junk food, e tem altas concentrações de sódio e outras coisas ruins. Mas dá "sustância", e é gostoso.

(o que me lembra quando eu ficava até altas horas no escritório e, vez ou outra, bem raramente, acabava jantando ramyeon...certa feita, um dos meninos me disse que eu não deveria comer aquilo, pois era ruim pra saúde...olhei bem pra ele, e perguntei "você fuma?", "sim", "você bebe?", "sim, muito"..."ok, e o miojo é que vai me fazer mal??"...ele sorriu, e voltou pra mesa dele)

Na semana passada, outro casamento coreano, dessa vez, da Kiyoung, que trabalhava com a Selma. Parabéns aos noivos!

Annyonheghaseyo!

 

 



Escrito por Maschetto às 20h00
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