Plágio?! 'Magina...

Post 154

OBS.: para um melhor acompanhamento do post, sugiro clicar em todos os links em azul.

Quando o Coldplay lançou a música "Talk", foi um sucesso entre os fãs da banda. Porém, o pessoal um pouco mais velho, que acompanhou o início da cena eletrônica e seu desenvolvimento ao longo dos anos 80, percebeu, imediatamente, que ali estava mais um grande exemplo daquilo que é uma das coisas mais abomináveis no mundo da música: o plágio.

Pra quem não sabe, a melodia de "Talk" é, na verdade, a melodia da música "Computer Love", do álbum "Computer World", de 1981, do grupo alemão Kraftwerk, os avôs da música eletrônica como a conhecemos hoje. Não conhece o Kraftwerk? Se você é muito novo, provavelmente, não conhece mesmo. E não o culpo. Eles sempre foram avessos à publicidade. E foi ótimo que continuaram assim.

Mas, pelo fato de serem desconhecidos, não quer dizer que sua influência foi pequena. Ao contrário: assim como Elvis e Beatles estão para o Rock, Kraftwerk está para a música eletrônica, desde os primórdios do Technopop até as mais recentes e vanguardistas formas de música eletrônica.

O vídeo abaixo mostra as duas músicas. "Talk", de 2005, e "Computer Love", 24 anos antes:

É fato, porém, que Chris Martin, o vocalista do Coldplay, pediu desculpas e, posteriormente, permissão ao Kraftwerk por ter utilizado a melodia sem prévia autorização. Uma atitude decente. E foi reportado também que Ralf Hutter, co-fundador do KW, aceitou as desculpas e não criou grande caso, citando-se que ele foi "escrupulosamente educado ao se referir a Talk".

Pois não é de hoje que se reciclam trechos de músicas do Kraftwerk, especialmente samples. Um clássico é "Planet Rock", do Afrika Bambaataa, em 1982 (estouro do breakdance), quando foram utilizados trechos de "Transeurope Express", do álbum de mesmo nome do Kraftwerk, de 1977. Um sucesso na época.

Outro monumento do plágio: "Ice Ice Baby", do Vanilla Ice, de 1989 (para os novatos, Vanilla Ice foi uma tentativa de Eminem que não deu certo). Toda a base da música é plagiada de "Underpressure", de 1981, do Queen com David Bowie. Ouçam ambas. E Vanilla Ice ainda tentou explicar que as duas músicas eram diferentes, pois na sua havia UMA nota a mais...

Alguns vão dizer que MC Hammer, que estourou nos anos 90 com "U Can't Touch This" e suas calças com 80cm de cavalo, foi um plagiador. Em sua defesa, ele dá crédito a todos os samples que usou. Em "U Can't Touch This", o sample foi de "Super Freak", do figura Rick James; em "Pray", de "When doves cry", do Prince (nao tem no youtube).

Obs.: em relação às emblemáticas calças de MC Hammer, acho que elas estão voltando aqui na Coreia! Eu acho horrivel, pois não se sabe onde termina a bunda e onde começa o joelho. Mas vai saber se a moda é essa:

foto gmarket

Caso mais revoltante é o "Bonde do Tigrão" (recuso-me a linkar), de 2001. Toda a base da música foi em cima da poderosa "Headhunter", de 1988, dos belgas do Front 242, os principais expoentes da Electronic Body Music e do New Beat (aliás, atrevo-me a dizer que foi aí que a preparação começou a ser feita para a transição da dance music, saindo da musiquinha alegre de Rick Astley e outros, para músicas mais pesadas, em tons menores e com synths mais sujos nos filtros. Minha teoria: o Snap! juntou tudo que havia na época e criou a sensacional "Rhythm is a dancer", em 1992. A partir daí, todo mundo copiou). Em relação ao "Bonde", até onde acompanhei, eles foram processados.

Os otimistas de plantão dirão que não é plágio, que é "influência"...influência o escambau (pode dizer escambau? Ou é palavrão? Eu não sei... Com vergonha) !! Influência é ouvir Creed e Audioslave e associar com Pearl Jam.

Todo esse preâmbulo é pra dizer que o k-pop não foge à regra, e há vários casos de plágio. Os produtores usam tudo que encontram pela frente, sem medo.

Uma coisa é você imitar o estilo: isso é o mundo pop, que lança tendências para as massas consumirem (e pra gente esperta ganhar dinheiro). Outra coisa é copiar quase que na íntegra.

Como o mercado fonográfico coreano é bem bairrista, isto é, estimula-se muito o consumo de música feita aqui (a MTV e os canais de música praticamente tocam 90% de produto local), o acesso à música estrangeira é menor, e não tão estimulado. Apesar da fortíssima influência da cultura pop estadunidense na Coreia (veja os grupinhos de hip-hop, os b-boys, os rappers), ainda consome-se, predominantemente, k-pop e similares (também muito j-pop). Então, o público não tem base de comparação, e não percebe as cópias escancaradas que fazem seus artistas favoritos.

Um exemplo dessa alienação - não com plágio, mas com uma versão - é a música "Maria", dos jurássicos do Blondie. A música foi gravada em 1999, um enorme sucesso quando o Blondie tentou um retorno às paradas. Aí, em 2006, foi lançada a comédia coreana "200 pounds beauty" ou, numa tradução livre, algo como "Beleza de 100 quilos", baseada num mangá japonês, com a então queridinha coreana Kim Ah-joong, a Liv Tyler da Coreia (vejam a plástica na boca dela, se não é "influenciada" - ou plagiada? - pela filha de Steve Tyler). No filme, ela é uma cantora pop, e seu maior sucesso é a música..."Maria", numa versao coreana.

A trilha sonora vendeu que nem churro em porta de supermercado. Mas qual não foi a frustração dos coreanos ao descobrirem que a música já existia...

Isso é um exemplo que ilustra o fato de os coreanos não acompanharem a cena mundial (tem gente aqui que não sabe quem é Darth Vader), o que facilita a vida dos regurgitadores de grupinhos k-pop. Se copiar alguém de fora, ninguém vai perceber. Com algumas exceções...

Vejam um exemplo de cópia. O clipe abaixo é de uma mocinha chamada "Aiu". Vejam o clipe e ouçam o início da música:

Os primeiros segundos são um plágio de "Only in my dreams", de Debbie Gibson, de 1986. E o clipe, claro, é todo da Kylie Minogue, em "Come into my world".

E que tal a pessoa abaixo (melhor dizer "pessoa" quando não se sabe do que se trata), que atende sob a alcunha de "G-Dragon", um membro do grupitcho "Big Bang", que parece saído diretamente de "Final Fantasy", com suas músicas...ahn..."semelhantes" a outras já existentes?

Vejam o vídeo, e tirem suas conclusões. O cara copia tudo:

E tem mais por aí. Minha opinião é a seguinte: quer fazer música porcaria, pode fazer. Mas não copie. Seja original, no mínimo, naquilo que é ruim. Pelo menos isso. Seja como Kanye West. Se pra ser ruim tem que copiar, é porque é então MUITO ruim.

Chega de falar mal dos plagiadores do mundo (estou muito Diogo Mainardi hoje - acho que é porque estou lendo um livro dele Diabólico ). Se ninguém descobrirem seus esquemas, sorte deles. Se pegarem, que sejam processados e tenham que pagar muito dinheiro.

Filhota, parabéns pelos seus 10 meses de vida!

Annyonheghaseyo!



Escrito por Maschetto às 21h18
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Pansori

Post 153

Uma das coisas que mais me atrai em qualquer país é sua música típica. É sempre interessante conhecer as bases da música de uma cultura, os instrumentos utilizados, a forma como se canta. É quando você começa a conectar os pontos e descobrir semelhanças entre diversos países, entendendo como as migrações influenciaram os estilos, como os instrumentos mudaram e se adaptaram a diferentes formas de tocar, etc.

Um exemplo é o instrumento coreano Gayageum (do qual eu já falei aqui, e onde há vídeos amadorzézimos Língua de fora desse que vos escreve aqui e aqui):

Muito similar a ele é o Koto japonês:

Ambos têm uma origem parecida, pois derivaram do instrumento chinês Guzheng:

Ora, considerando-se que a China foi a principal influência do Leste Asiático, não fica difícil crer que os três instrumentos estão relacionados entre si. Com isso também deduz-se muito a respeito da transferência de cultura entre os povos.

Mas o interessante é notar que, apesar da semelhança entre os instrumentos, as músicas são bem diferentes quando comparadas. Abaixo, o Gayageum:


Em seguida, o Koto japonês: 


E comparem com a melodia chinesa ao Guzheng:

Três instrumentos muito similares, três tipos de música muito diferentes, sob todos os aspectos: harmonia, melodia, ritmo, tudo.

Na Coréia, em termos de música típica, a coisa não é diferente do resto do mundo. A música clássica ou folclórica coreana é tão rica quanto a brasileira ou qualquer outra. O difícil é conseguir ir atrás, no meio dessa avalanche de grupinhos irritantes de K-Pop que tomam todo o espaço.

Quando fizemos nossos cursos de música tradicional coreana (mais vídeos aqui e aqui), pudemos ter mais contato com a música típica do país. Minha professora de Gayageum era, obviamente, uma acadêmica, e foi com ela que tomei contato inicial com o Pansori.

Literalmente, Pansori significa "sons onde as pessoas se reúnem", e é um estilo musical facilmente identificável. Geralmente, há apenas duas pessoas: um(a) cantor(a) e um percussionista. O canto é relativamente dramático, com muitos melismas e glissandos. À primeira vista parecem músicas tristes, chorosas, mas às vezes falam de alegrias, vitórias:

O canto é quase que uma declamação. É preciso muita disposição para a coisa. Importante também são os pequenos gritos de encorajamento dados pelo percussionista, que fazem com que o cantor siga em frente (semelhante aos "olés" na música flamenca, nas sevilhanas).

E quanto mais idoso(a) o cantor, mais interessante ainda fica o Pansori:

O leque tem dois objetivos principais: enfatizar os movimentos do cantor e também indicar mudanças de cena. E, esteticamente, é interessante mesmo.

E quando a cantora ainda faz alguns atos cômicos, fica mais agradável de ver e ouvir a performance:

Assim como a música clássica ocidental, leva-se um tempo até assimilar o Pansori. Não é na primeira audição que ele te pega. E "ver" é sempre melhor que só ouvir, pois toda a movimentação e a energia dos intérpretes deve ser também experimentada.

Agora, o que acontece quando você mistura Heavy Metal com Pansori??? Resposta: você tem uma das coisas mais legais que eu já ouvi na Coreia: Gostwind, uma banda de Korean Folk Metal! Como diríamos em inglês, eles são "badass"! Ouçam:

É por isso que eu sempre falo que a cena underground coreana é infinitamente superior ao mainstream. Mas o que vende é menininhas com plástica rebolando e moleques com cara de anime japonês dançando, então...

E falando em coisas típicas de países, domingo passado a Selma fez uma feijoada campeã, e convidamos alguns colegas brasileiros que também estão perdidos aqui por esses lados da Coreia pra almoçarem com a gente: Rebeca, Henrique, Gustavo, Briza, Ágatha, Juliano, Eun Bee (coreana, mas com português de sotaque paulista). Foi um domingo longo, o almoço emendou com a janta, bem no esquema família-Brasil mesmo. E a Beatriz ficou maluca com todo o assédio, claro.

(O pessoal tirou fotos, mas nenhum desgramado fez a gentileza de enviá-las ainda. Tem jeito, mineirada??)

Obrigado a todos pela visita aqui em casa!

Annyonheghaseyo!



Escrito por Maschetto às 17h22
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Nazistas na Coreia?

Post 152

Para os desavisados, provavelmente a primeira reação à imagem abaixo seria de revolta:


Nazistas na Coreia? E assim, publicamente expostos?

Primeiramente, um olhar com mais calma revelará que a Suástica da janela não é a mesma adotada pelos nazistas: a da janela, além de não ser inclinada, tem seu braço superior apontando para a esquerda (ao contrário da suástica nazista que aponta para a direita).

Em segundo lugar, assim que você chega à Ásia, uma das primeiras coisas que você aprende é que esse símbolo é usado amplamente pelos budistas. Principalmente nos templos mais escondidos, esse sinal é utilizado para identificá-los. E também nos não tão escondidos assim:


A Suástica é um símbolo utilizado há séculos, principalmente como símbolo de sorte, em amuletos e talismãs. Há indícios de uso no hinduísmo, além do budismo, e também em diversas civilizações e culturas, como a Celta, Persa, Grega e muitas outras mais. Hitler simplesmente se apropriou da figura e fez com que a mesma se tornasse um sinônimo de ódio e racismo.

A propósito, o Nazismo e seus símbolos são extremamente execrados no Ocidente mas, no Oriente - especialmente, na Ásia - a coisa não é tão forte assim. O significado do Holocausto, o massacre, o racismo dos nazistas, e tudo mais que foi propagado por Hitler e suas tropas é muito presente na memória européia e americana ("americana" = todas as Américas), mas não tem o mesmo apelo aqui por esses lados, especialmente na Coreia.

Prova disso são as diversas propagandas com temática nazista, incluindo comerciais de TV, bares, etc. . Os coreanos não fazem nada disso por mal, nem com intenção de chocar ninguém: a questão é que a informação sobre o nazismo por aqui não é tão significativa como no outro lado do mundo, então, não há essa indignação costumeira mediante qualquer coisa que lembre remotamente essa fase negra da humanidade.

Exemplos abaixo, bares aqui na Coreia, famosos pelo nome:


Foto de geostorm.org



Foto de "Key West and Other Fantasies"

Garoto coreano fazendo cosplay:


E um comercial de cosméticos que causou furor na mídia internacional, com repercussão na CNN, Alemanha, Bélgica e muitos outros países. O comercial foi editado, os símbolos e o nome de Hitler, removidos. Um pouco do caso pode ser lido aqui:

Depois desse comercial, devido à repercussão que teve, os coreanos começaram a tomar um pouco mais de cuidado com a temática nazista. Claro, os bares devem estar por aí ainda, mas imagino que na TV os comerciais não terão mais vez.

Semana passada, Efeito Ambulância? Não, "Efeito Beatriz" mesmo. Se eu cobrasse cada foto que pedem pra tirar...:


E a nossa Beatriz completou 9 meses nessa semana que passou. Está crescendo, comendo muito bem, e começando a dormir mais, para alegria dos pais. Saibam mais no Sentada na Pia.

Parabéns pelo "mêsversário", filhota!


E no Konglish da semana, uma frase que não conseguimos desvendar o significado (estava escrita no espelho do banheiro feminino de um restaurante aqui):

"Even if loved horse can stop, love cannot stop"

(algo como "Mesmo que cavalo amado possa parar, o amor não pode parar"...hein?) Em dúvida 

Se algum dos descendentes de coreanos que acessam o blog conhecerem o provável ditado original, por favor, escrevam nos comentários. Estamos curiosos!

Annyonheghaseyo!



Escrito por Renato Maschetto às 17h50
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O Efeito Moisés

Post 151

Pra quem lembra, no ano passado enunciei duas teorias: o Efeito Brendan Fraser e o Efeito Ambulância (é só clicar nas palavras em azul ao lado para relembrar). É hora de falar do "Efeito Moisés".

A Coreia é um país pequeno, mas com uma população grande para sua área. Quando pensamos em Seul, a coisa fica mais crítica ainda: com cerca de 10,5 milhões de pessoas (dado de Dez de 2008), sua densidade demográfica é de 17 mil pessoas por km2, sendo uma das 50 cidades mais densamente povoadas do mundo ! Como referência, a densidade demográfica de São Paulo é de 7 mil pessoas por km2...e olha que São Paulo tem gente...

Dá pra entender o que tem de coreano na rua?

Com isso, uma das coisas mais inevitáveis é trombar em pessoas pela rua. Trombar literalmente, isto é, bater ombro com ombro, dar de cara com alguém olhando pra trás, pisar no pé, e por aí vai. O interessante é que ninguém pede desculpas. Algo que, a princípio, soa como "falta de educação", mas "educação" é algo bem abrangente e, me atrevo a dizer, regional.

Andando pelas ruas do Japão - outro país "lotado" - você não observa o mesmo fenômeno. E, quando alguém tromba em você, prepare-se: a pessoa desfiará um rosário de desculpas. Ela pára, vira pra você, abaixa e levanta o corpo diversas vezes e pede desculpas antes de continuar seu caminho.

Alguns teóricos argumentam que, por tratar-se de uma ilha, o Japão não teve outra forma de se desenvolver a não ser através da tolerância e polidez extrema. Ora, num pedaço de terra pequeno, cercado por água, é melhor todo mundo se comportar, senão vira uma verdadeira panela de pressão. Sem ter por onde evadir, a coisa explode com facilidade. Então, melhor todo mundo estar de bem com todo mundo.

Na Coreia, a coisa é diferente. Como nos apresenta Won-bok Rhie em seu excelente livro "Korea Unmasked", a lógica coreana envereda por outro caminho: com tanta gente na rua, não tem como não trombar um no outro. "Isso é normal e nós coreanos estamos acostumados. Não precisamos pedir desculpas, pois somos todos coreanos".

Ou seja, "educação" é algo relativo: na nossa cultura somos ensinados a pedir desculpas quando isso acontece. Na cultura coreana, isso não é necessário, assim como "pedir licença" para passar. Somos todos coreanos, aqui tem muita gente, é só empurrar e passar. Na Coreia, isso não é errado ou considerado "falta de educação".

Para o estrangeiro, esse é um dos pontos que mais incomoda quando se chega à Coreia: no metrô, no elevador, ao atravessar portas vai-e-vem...depois de um tempo, você se acostuma (ou fica louco).

Mas navegar por esse mar de gente demanda técnica e astúcia. Ao longo dos primeiros meses em solo coreano, eu sempre me sentia meio como Neo em sua primeira visita ao simulacro da Matrix, com Morpheus, após seu despertar:

Por diversas vezes, eu percebi que, ao olhar para as pessoas que vinham em minha direção, caso elas notassem meu olhar, elas raramente alteravam sua rota, e entravam em modo de colisão. Eu desviava. Até hoje não sei se eles miravam ou se valia a lógica chinesa: "se você está olhando, você é responsável pela ação".

Momento cultural: um colega que mora em Shanghai disse-me que, ao entrar para o grupo de "night bikers" de lá, ele recebeu uma lista com recomendações. Uma delas dizia: "ao atravessar um cruzamento, JAMAIS olhe para os lados. Se o motorista que está vindo perceber que você o viu, ele não diminuirá a velocidade. No caso de um acidente, VOCÊ será o responsável, pois viu o carro antes". Curiosidades...

Um dia, resolvi testar uma hipótese: e se eu não olhasse para frente, o que aconteceria? Bem, aconteceu o que eu esperava: Efeito Moisés total!

Isso mesmo: todo mundo começou a sair da minha frente, eu me sentia o próprio Moisés dividindo o Mar Vermelho! Ora, se não estou olhando, eu não tenho culpa se alguém trombar em mim. Então, todo mundo começou a desviar. E, daí em diante, foi só aprimorar a técnica e usar sempre que necessário.

Alguém irá perguntar: e se duas pessoas, ao mesmo tempo, não estiverem olhando e trombarem? Bom...vai ser um estrago. Mas, até hoje, foi só sucesso, nenhum contratempo. Técnica aprovada e patenteada: Efeito Moisés!

Obs.: "Efeito Moisés" também pode designar o efeito causado por um péssimo DJ em uma casa noturna. Quando ele toca, a pista se abre e não sobra ninguém. Quem me contou essa foi o DJ Akeen, quando fiz um curso com ele há uns bons 7-8 anos atrás.

Nas notícias "relativamente" recentes, saiu o ranking das cidades mais caras do mundo para expatriados e, surpreendentemente, Seul ficou em 163o. lugar.

Em 1o. está Tóquio, em 2o. Hong Kong e em 3o. Lagos, na Nigéria. Das 276 cidades da lista, a única brasileira é Brasília, em 86o. lugar.

Ano passado, Seul estava em 41o. Posso entender o fato de Seul cair um pouco em função, principalmente, da desvalorização da moeda (mais de 40%) no início de 2009. Mas ir para 163o. me parece demais. Afinal de contas, muita coisa básica aqui ainda é extremamente cara. Ontem mesmo, no supermercado, vimos o preço do quilo do arroz subir para KRW 4,000 (US$ 3.40, ou cerca de R$ 6). Frutas e legumes, também, sempre muito caros (devido às taxas e aos intermediários).

Outras coisas, por outro lado, são mais baratas: por exemplo, almoçar (bem) num restaurante coreano simples vai lhe custar uns KRW 5,000 (uns R$ 7,70). Provavelmente, você vai gastar, no mínimo, o dobro num restaurante por quilo no Brasil.

Se bem que eu não gosto de ficar convertendo. Quando viajo, sim, converto antes de comprar algo, pois minha base salarial está em outra moeda. Aqui, no entanto, como sou remunerado em KRW, não faz sentido ficar convertendo a toda hora, pois meu gasto é na mesma moeda. O ideal é ajustar seus gastos e custo de vida para a moeda local e partir daí. Dessa forma, é possível balancear o que vale a pena comprar ou não, com exceção do que é necessário (leite, pão, arroz, vegetais, etc.). Se bem que, quem conhece a gente, sabe a dupla de murrugas que somos, então...

E amanhã é aniversário da patroa! Favor parabenizarem-na!  Ficando velho


Pra fechar, Beatriz Flashdance, aqui.

Annyonheghaseyo!



Escrito por Renato Maschetto às 18h30
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Yongsan Park

Post 150

Para quem quiser saber mais sobre o caso da garotinha:

. Propostas para aumentar a pena máxima de 15 para 20 anos, aqui;

. Coreia do Sul considerando "castração química" (não sei se a tradução correta é essa). Vejam aqui;

. Detalhes da sentença, pela corte coreana: aqui;

Em notícias relacionadas, mãe e filha de um homem acusado de molestar sexualmente sua filha entraram com um recurso a fim de pedir uma pena maior para o homem (a sentença atual é de apenas 2 anos)...

Falando de coisas boas, durante o feriado aproveitamos para estrear o novo carregador da Beatriz num parque aqui perto de casa, o Yongsan Family Park.

Momento cultural: aula de geografia coreana

A Coreia do Sul (ou, mais corretamente, a República da Coreia) é um país dividido em 8 províncias, chamadas "do", em coreano:

Além das 8 províncias há 6 "cidades metropolitanas" (Pusan, Incheon, Daegu, Gwangju, Daejeon, Ulsan) e 1 "cidade especial", que é Seul, a capital do país. Apesar de essas cidades estarem geograficamente dentro das províncias, elas são consideradas separadamente em termos administrativos. Por exemplo: Seul está localizada na província de Gyeonggi (Gyeonggi-Do), mas não se associa Seul à essa província, formalmente.

Dentro de cada província encontram-se as cidades ("si" em coreano). Dentro de Gyeonggi-Do, por exemplo, há a cidade de Ilsan (Ilsan-si). As cidades, por sua vez, são divididas em "distritos", chamados "gu". Exemplo: um dos mais importantes distritos de Seul é o Yongsan, ou "Yongsan-Gu" (que é o distrito que dá nome ao parque acima e, também, é o distrito onde moramos).

E o próximo nível são os bairros, dentro dos distritos. Os bairros são conhecidos como "dong". Nosso bairro, para ilustrar, é o "Hannam-Dong".

Fácil? Então: Coreia -> Gyeonggi-Do -> Seul-Si*-> Yongsan-Gu -> Hannam-Dong

*só pra exemplificar pois, na verdade, sendo uma cidade especial, além de não ser associada a Gyeonggi-Do, o nome correto é Seul "Teukpyeolsi", e não Seul-Si.

Fim do momento cultural...

De volta ao parque, a área pertencente ao atual Yongsan Family Park era, anteriormente, um campo de golfe dos militares estadunidenses estacionados em Yongsan. Em 1991, a área foi devolvida ao governo de Seul e em 2005 o parque foi entregue ao público.

Com a Beatriz instalada, partimos para a caminhada:

O parque é pequeno, mas agradável. E, como fomos pela manhã, ainda estava vazio, dando uma atmosfera mais calma ao local:

O parque abriga um pequeno jardim de "pagodas" (construções religiosas comuns por toda a Ásia, geralmente, budistas):

Obs.: a palavra "pagoda", suspeita-se, originou-se do termo português "pagode", de mesmo significado ("templo de uma religião oriental"), cuja primeira utilização data do início do séc. 16. MUITO ANTES da apropriação pelo estilo musical praga atual...(e, segundo fontes históricas, pagode era também o termo utilizado para as festas nas senzalas).

Abaixo, mais algumas fotos do parque:

Que eu não suporto K-Pop muita gente já sabe. Na minha extremamente humilde opinião, o gênero é bem ruizinho. Por ser coreano? Não(aliás, posso garantir que o C-Pop e a produção similar no Sudeste Asiático é bem pior). Por que, então? Além da pobreza musical e falta do fator "origem suada, real e natural", o estilo(!?) é irritante, assim como outras pérolas do cancioneiro pop mundial. Claro, o fato de ser baseado em grupinhos idênticos entre si, com integrantes que mal sabem cantar, coreografias pra lá de fracas, e que surgem na mídia mais rápido do que você pode absorver e descartar ajuda também...

Mas não estou aqui pra detonar o K-Pop. Deixa isso pra outro post específico. Hoje quero dizer que tem 1 (um) exemplar do K-Pop que eu acho sensacional! O melhor de todos! Imbatível! E desafio alguém a achar algo melhor que essa dupla!

O motivo: os caras não se levam a sério. É só prestar atenção na letra da música. Seriam os Mamonas Assassinas da Coreia? Não sei. Só sei que essa música abaixo é a campeã!

Com vocês... NoRaZo, e seu hit "Chupoman" !!! (ou melhor, "Superman"):

Annyonheghaseyo!



Escrito por Renato Maschetto às 21h21
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Desculpe, eu estava bêbado

Post 149

Um caso que ganhou notoriedade na internet coreana e agora está sendo veiculado também na midia em língua inglesa é um dos mais chocantes que eu já vi até hoje: um tal de "Sr. Jo", de 57 anos, estuprou violentamente uma menina de 8 anos de idade, de forma que seu ânus, colon e genitais foram destruídos (literalmente). Segundo os médicos, ela viverá pelo resto de sua vida com os ferimentos, mesmo após os procedimentos cirúrgicos e tratamentos. Segundo os especialistas, hoje não há esperanças para ela.

O crime já é horrível por si só, e sabemos que isso pode ocorrer em qualquer lugar do mundo, não só na Coreia, mesmo apesar de se ler muito sobre estupros por aqui. Mas em uma menina dessa idade...

Pois bem, o pior vem a seguir: em resumo (e depois eu deixo os links para quem quiser ler mais), o tal Sr. Jo foi condenado a apenas 12 anos de prisão. O motivo: ele estava bêbado, então, ele tem uma desculpa que atenua sua pena.

Cada um coloque-se no lugar da menina ou dos pais dela. Acessando este link aqui pode-se ler o caso, e alguns depoimentos da própria menina e de seus pais. Os internautas coreanos pedem a pena de morte (que ainda é praticada na Coreia), e seu pai diz que, se não é possível aplicar a pena de morte, ao menos que ele seja aprisionado para sempre.

A mãe da garota apelou ao Presidente da Coreia, revelando detalhes do sofrimento de sua filha: pelo resto da vida, ela terá que drenar suas fezes como água, já que seu sistema digestivo foi destruído, enquanto que o animal ficará apenas 12 anos na prisão. Este link aqui traz as palavras da mãe, e um desenho feito pela menina, que está sofrendo no hospital.

Vamos deixar a coisa um pouco mais nefasta: além do fato "estar bêbado" ser, realmente, um atenuante legal na Coreia, o fato de o maldito ter pego apenas 12 anos deve-se à lei coreana. Crimes "desse gênero", ou seja, estupro de um menor, pegam de 6 a 9 anos e, em casos mais "extremos", a pena vai de 7 a 11. Então, 12 anos foi até "muito", considerando a atual legislação coreana (que, provavelmente, receberá muita atenção agora, em função da exposição gigantesca).

De acordo com uma das agências de notícias, o juiz havia decidido por prisão perpétua. Mas como foi comprovado que o ajoshi estava bêbado, as regras são claras: a pena poderia ser apenas entre 7 e 15 anos. Mas informações podem ser obtidas aqui.

É de virar o estômago. A propósito, este outro link traz estatísticas mostrando que, em 2008, penas severas foram dadas mais para casos de roubo e assassinato que para crimes sexuais. Além disso, um estudo mostrou que a cada 1000 presos, apenas 4 ou 5 receberam uma sentença de no mínimo 10 anos. Prisão perpétua foi imposta em 20 casos de assassinatos, 17 de roubos e 8 de crimes sexuais.

Fora isso tudo, o precedente que se abre é assustador: quantos outros maníacos não se sentirão tranquilos para continuarem cometendo seus crimes? Ora, 12 anos não é nada perto do que a menina sofreu e está sofrendo e, segundo ouço por aqui, as prisões coreanas não chegam nem perto das prisões no Brasil ou EUA em termos de "justiça atrás das grades" (e vocês entendem do que estou falando). Ou seja, o risco é pequeno para um doente como esses (e sempre tem a desculpa da bebida).

Não sei como é a lei brasileira para estupro de menores mas, considerando o caso do pai da menina no Brasil que foi acusado de pedofilia, imagino que a lei seja severa. E mais: ainda há a discussão se foi crime ou não. No caso coreano, está mais do que provado e comprovado.

Lei coreana idiota. Só posso esperar que a menina se recupere da melhor forma que conseguir, e que algo revolucionário ainda aconteça nesse caso.

E, pra terminar: isso sim é motivo para uma vigília e passeata no centro da cidade. Não aquela estupidez sem fim do ano passado no caso da "vaca louca", incitada pela TV e depois desmascarada.

via koreabeat

E aos meus críticos: não estou aqui "generalizando e dizendo que os coreanos são ruins", "dizendo que a cultura não vale nada", etc. . Estou sendo muito preciso: estou falando da lei. Mais claro, impossível. Mas se alguém aí ainda conseguir achar que estou "atacando o país expondo só uma exceção", ou algo do gênero, parabéns. Joguem as pedras.

Semana que vem eu apareço com algo mais agradável, prometo.

Annyonheghaseyo.



Escrito por Renato Maschetto às 18h20
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